Jogos de quebra-cabeça e xadrez são usados para tratar pacientes com AVC

Por Redação | 05 de Junho de 2017 às 17h40
photo_camera Diego Dias

No Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas, versões virtuais dos antigos jogos de quebra-cabeças e xadrez vêm sendo usados para auxiliar o tratamento de pacientes que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC).

Os softwares dos games são controlados por meio de movimentos corporais, e já estão sendo testados em adultos e idosos que têm entre 45 e 70 anos. De acordo com Aline Camargo, fisioterapeuta e pesquisadora que participa do projeto, essa é uma ótima forma de buscar a recuperação, já que os jogos combinam esforço mental e físico, auxiliando na reabilitação neurológica simultaneamente com a recuperação das habilidades motoras.

“No quebra-cabeça, o paciente só movimenta os braços. No xadrez, ele também usa os membros superiores. Então, é uma demanda tanto cognitiva, porque ele precisa montar, entender a imagem, quanto motora, pelos movimentos que realiza. Por isso, tem bons resultados”, explicou a fisioterapeuta. Contudo, a especialista faz questão de frisar que “as aplicações não substituem a fisioterapia; elas funcionam apenas como aliadas no tratamento do paciente”.

(Reprodução: Diego Dias)

Alexandre Brandão, pesquisador do Instituto de Física e criador dos programas, disse que chamá-los de “jogos” é algo apenas coloquial, já que seus propósitos vão muito além da diversão. O ideal é dizer que são aplicações de reabilitação, pois não existem erros ou acertos, não resultando em uma pontuação, como acontece com os games. O motivo? “O paciente pode ficar frustrado se não conseguir pontuar. Muitas vezes não vai conseguir, porque o processo de tratamento pode durar semanas, meses”, explica Brandão.

Além do xadrez e do quebra-cabeças, o pesquisador também desenvolveu um programa para medir a amplitude das articulações de forma digital, substituindo o goniômetro (aparelho de fisioterapia usado para medir ângulos). Com o software, “o profissional pode medir a evolução dos pacientes a partir da imagem que o programa captura a medida das articulações, mostrando todos os ângulos”, explicou.

Fonte: G1