Intervalo de 3 meses entre doses da Pfizer pode melhorar eficácia, diz estudo

Por Fidel Forato | Editado por Claudio Yuge | 14 de Maio de 2021 às 16h10
alexstand/Envato

Na luta contra o coronavírus SARS-CoV-2, pesquisadores ainda investigam como melhorar a eficácia e a segurança das vacinas contra o agente infeccioso. Neste cenário, um novo estudo apontou que a vacina da Pfizer/BioNTech contra a COVID-19 pode ser mais eficaz quando aplicada com 12 semanas de intervalo entre as doses, pelo menos em pessoas com mais de 80 anos.

Publicado em formato de preprint — artigo sem revisão pelos pares —, o estudo considerou apenas a resposta imunológica de idosos vacinados com a fórmula da Pfizer/BioNTech, sendo que um grupo recebeu a segunda dose após três semanas e o outro após três meses. A avaliação foi coordenada por centros de pesquisa britânicos, como UK Coronavirus Immunology Consortium, University of Birmingham e Public Health England.

Intervalo maior entre as doses da vacina da Pfizer/BioNTech pode melhorar eficácia do imunizante contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/Governo de São Paulo)

Originalmente, a vacina da farmacêutica norte-americana Pfizer foi autorizada para ser aplicada em um intervalo de três semanas entre as doses. No entanto, vários países, como o Reino Unido e o Brasil, optaram por expandir esse intervalo para 12 semanas. Isso porque a estratégia amplia a possibilidade de mais pessoas começarem o processo de imunização, o que pode ser benéfico quando as doses são limitadas.

Vacina da Pfizer pode ter melhor eficácia em maior intervalo entre as doses

O estudo britânico foi realizado com 175 voluntários com mais de 80 anos. Deste grupo, 99 participantes receberam a segunda dose da vacina contra a COVID-19 em três semanas e os outros 73 receberam a sua segunda dose após 12 semanas (três meses). Durante o processo, foram coletadas amostras de sangue após a primeira e segunda doses e também três semanas após a segunda dose.

Após a segunda aplicação da vacina da Pfizer/BioNTech, os anticorpos específicos contra a COVID-19 foram detectados em todos os participantes, independentemente do intervalo. No entanto, após a segunda aplicação da fórmula, a concentração média de anticorpos foi 3,5 vezes maior no grupo de intervalo de 12 semanas (4.030 U/ml) em comparação com o grupo de intervalo menor (1.138 U/ml).

"Esta pesquisa é crucial, particularmente para as pessoas mais velhas, pois as respostas imunológicas à vacinação se deterioram com a idade. Entender como otimizar os esquemas de vacinas contra a COVID-19 e maximizar as respostas imunológicas dentro dessa faixa etária é de vital importância", explicou a principal autora do estudo e pesquisadora da University of Birmingham, Helen Parry.

"As respostas de anticorpos mais altas em pessoas que receberam duas doses da vacina Pfizer usando um intervalo estendido de 12 semanas fornecem evidências adicionais de apoio dos benefícios da abordagem do Reino Unido para priorizar a primeira dose da vacina. Esta análise mostra melhores respostas de anticorpos naqueles que recebem sua segunda dose em 12 semanas em comparação com o esquema padrão de três semanas", detalhou Gayatri Amirthalingam, epidemiologista da Public Health England.

Para acessar o estudo completo, publicado na revista científica The Lancet, clique aqui.

Fonte: Medical XPress e NIHR    

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