Inteligência artificial é capaz de criar do zero novos compostos para remédios

Por Wagner Wakka | 01 de Agosto de 2018 às 21h00

Cientistas descobriram mais uma habilidade da inteligência artificial: a produção de remédios. Um sistema criado pela Universidade da Carolina do Norte (UNC) foi capaz de criar um medicamento totalmente do zero. Chamado de Reinforcement Learning for Structural Evolution (ReLeaSE), o aparelho foi alimentado com informações de mais de 1,7 milhões de moléculas biológicas conhecidas.

Os pesquisadores explicam que o sistema funciona em duas partes, análogas a um professor e um estudante. A rede neural do professor é alimentada com as informações, sendo capaz de conhecer as estruturas químicas das moléculas biológicas.

Com isso, é capaz de passar tais dados decodificados para a estrutura estudante, a qual de fato monta estas novas moléculas. “Se a nova molécula é realista e tem o efeito desejado, o professor aprova", de acordo com o co-criador de ReLeaSE, Alexander Tropsha, membro da Eshelman School of Pharmacy da UNC. “Se não, o professor desaprova, forçando o aluno a evitar moléculas ruins e criar boas moléculas”.

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Este é o método usado atualmente pelas empresa farmacêuticas, criando um menu de possíveis combinações químicas de drogas e eliminando as não-viáveis. A diferença, é que, segundo o trabalho publicado pela revista Science Advance, o ReLeaSE é capaz de criar e avaliar novas moléculas voltadas para a medicina.

Em comunicado, o co-criador do projeto, Olexandr Isayev, explica qual a intenção. “Um cientista que faz triagem virtual é como um cliente fazendo pedidos em um restaurante. O que pode ser encomendado é geralmente limitado pelo menu. Queremos dar aos cientistas uma mercearia e um chef pessoal que podem criar qualquer prato que quiserem". Com isso, a proposta não é eliminar o fator humano da criação de medicamentos, mas oferecer uma nova ferramenta para o avanço da indústria de fármacos.

Um dos exemplos do trabalho é um conjunto de moléculas criadas pelos pesquisadores com algumas características específicas, como um determinado ponto de fusão ou mesmo solubilidade em água. Eles também verificaram um avanço significativo no caminho de encontrar compostos com capacidade de inibir a principal enzima responsável pela leucemia.

“A capacidade do algoritmo de projetar novos compostos químicos e, logo, patenteáveis, com atividades biológicas específicas e perfis de segurança ideais, deve ser altamente atraente para uma indústria que está constantemente buscando novas abordagens para reduzir o tempo necessário para trazer uma nova droga candidata a ensaios clínicos ”, disse Tropsha.

Em se tratando de patente, a Universidade já registrou a desta nova tecnologia. O trabalho completo está disponível no site da Science Advance.

Fonte: Science Advance Magazine

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