Falha da CureVac: o que deu errado com a "vacina do Bill Gates"?

Falha da CureVac: o que deu errado com a "vacina do Bill Gates"?

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 20 de Junho de 2021 às 17h00
McKinsey/Rawpixel

Na última quinta (17), foi anunciado que o imunizante desenvolvido pela empresa de biotecnologia alemã CureVac, que usava a mesma tecnologia da Moderna e da Pfizer, falhou na terceira e última fase de testes. A eficácia da vacina contra COVID-19 foi de apenas 47%. Mas, afinal, o que foi que deu errado?

Segundo relatório da revista científica Science, a empresa culpa a rápida mudança do vírus pandêmico, mas pesquisadores de fora culpam o próprio projeto da vacina. Acontece que o imunizante se baseia na nova tecnologia de mRNA das concorrentes, que tiveram mais de 90% de eficácia em seus testes.

O CEO da empresa anunciou que as muitas variantes do SARS-CoV-2 agora em circulação podem explicar os resultados decepcionantes, visto que o mRNA da vacina foi projetado para uma versão dominante entre os vírus no início da pandemia, mas que evoluiu por meio de múltiplas mutações.

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Os cientistas do ensaio sequenciaram o vírus em 124 participantes e encontraram 13 variantes diferentes. Apenas 1% das pessoas infectadas tinham uma "versão" do SARS-CoV-2 cuja proteína spike correspondia ao mRNA usado na vacina.

(Imagem: Rawpixel)

Mas os pesquisadores de fora não acham que as variantes explicam totalmente o fraco desempenho da vacina em questão. Eles afirmam que a CureVac não forneceu quaisquer dados sobre quantos dos infectados em seu ensaio de eficácia desenvolveram doença grave. Outras vacinas continuam a prevenir a maioria das hospitalizações e mortes, mesmo quando as variantes reduzem sua proteção contra COVID-19 leve.

Além disso, o relatório aponta que o tipo de mRNA usado pelo CureVac pode prejudicar a formação de anticorpos. Outro fator apontado pelos pesquisadores é uma dosagem de vacina muito baixa; de qualquer forma, a CureVac diz que deve esperar pela análise final do teste de eficácia atual antes de fazer uma “mudança estratégica”.

Mas o que Bill Gates tem a ver com a vacina?

Qual a relação, afinal, entre o ex-CEO da Microsoft e a CureVac? A vacina alemã foi financiada pela Bill & Melinda Gates Foundation, além de ter assinado um acordo para fabricação em uma fábrica Tesla, de Elon Musk. Além dos dois nomes, a CureVac também recebeu aporte do bilionário Dietmar Hopp, co-fundador da SAP, gigante do universo do software.

Fonte: Science

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