Dispositivos de interface neural precisam ser investigados, defendem cientistas

Por Natalie Rosa | 14 de Setembro de 2019 às 12h15
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Um estudo recente, publicado no Reino Unido, sugere que dispositivos capazes de fazer o monitoramento do cérebro humano precisam ser investigados.

Batizado de iHuman: Blurring Lines Between Mind and Machine (Linhas Borradas entre a Mente e a Máquina, na tradução literal), a pesquisa mostra quais são os riscos do uso de dispositivos cérebro-computador e quais são suas oportunidades, afirmando que os resultados obtidos com esses experimentos podem ser perigosos se compartilhados com grandes corporações.

Os testes em questão ocorreriam com o uso de dispositivos implantados ou externos que simulam a atividade do cérebro ou do sistema nervoso. Sendo assim, a pesquisa diz que esses dados precisam ser usados de forma ética.

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"Mesmo que esses avanços como a comunicação perfeita entre o cérebro e o computador pareçam uma possibilidade muito mais distante, devemos agir para garantir que nossas proteções éticas e reguladoras sejam flexíveis o suficiente para qualquer desenvolvimento no futuro. Dessa forma, podemos garantir que essas tecnologias emergentes sejam implementadas com segurança para o benefício da humanidade", diz Tim Constandinou, especialista em interfaces neurais de próxima geração e um dos coautores do estudo.

Uma das recomendações dos pesquisadores é que haja investigação das questões éticas apresentadas pelas interfaces neurais, abordando quais dados podem ser coletados ou não, como eles seriam mantidos em segurança e qual seria a aceitação da fusão de humanos e máquinas emergentes.

Também é ideal a criação de um ecossistema de interface neural para encorajar a indústria e as universidades para a inovação e colaboração com a área, e que novas maneiras de levar esses produtos ao mercado sejam testados, evitando o monopólio de grandes companhias de tecnologia.

Apesar dos riscos, os cientistas revelam os benefícios da existência dessa tecnologia, provando que elas não devem ser esquecidas, mas sim bem cuidadas. "Até 2040, as interfaces neurais poderão ser estabelecidas como uma opção para permitir que pessoas voltem a andar após uma paralisia, no combate à depressão e, possivelmente, trazer à realidade o tratamento do Alzheimer", completa Constandinou.

Fonte: BCCRoyal Society

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