"Não nos livraremos das máscaras tão cedo", diz especialista alemão

Por Nathan Vieira | 21 de Setembro de 2020 às 14h15
engin akyurt / Unsplash

Se pararmos para analisar, o uso de máscaras nunca fez parte de nosso cotidiano, exatamente, com exceção de profissionais que precisavam usar esse item em suas rotinas. Mas atualmente, simplesmente todo mundo tem usado a máscara para sair na rua (ou, pelo menos, deveria), já que é a principal forma de se proteger do vírus que tem preocupado a população. No entanto, segundo o virologista alemão Christian Drosten, que criou o primeiro teste de diagnóstico do mundo de COVID-19, a máscara permanecerá em uso mesmo após a imunização.

Durante entrevista ao portal alemão DW, Christian Drosten opinou: “Teremos vacinas no ano que vem, mas penso que determinadas parcelas da população só poderão ser vacinadas no fim de 2021. Não nos livraremos das máscaras tão cedo. Pois, mesmo quando for iniciada a vacinação, a maioria da população ainda terá que usá-las. Em países como a Alemanha, onde há poucas infecções, não haverá uma imunidade ampla. Provavelmente também será assim nos demais países da Europa”.

Na ocasião, o especialista alemão ainda trouxe à tona sua visão sobre a pandemia: “Não me surpreenderia se em algumas partes do mundo no próximo ano a população estiver imunizada. Isso significa que ela terá passado por uma epidemia que pode não parecer tão grave por causa de sua estrutura etária. Na África, por exemplo, poderia ser esse o caso. Eu gostaria de ver a população africana protegida por causa de seu perfil etário mais jovem".

Ele ainda acrescentou: "em outras partes do mundo, onde a meta é evitar a transmissão generalizada do vírus e esperar pela vacina, podemos contar com o uso de máscaras até o fim de 2021. É impossível fazer previsões precisas, mas no ano que vem ainda estaremos usando máscaras”.

Criador do primeiro teste de diagnóstico do mundo de COVID-19 alerta que não abandonaremos a máscara tão cedo (Imagem: Tumisu / Pixabay)

Na avaliação do especialista, a Alemanha se tornou exemplo no combate ao coronavírus na Europa. “Certamente há uma combinação de várias causas. Uma, sem dúvida, é a ação direta e decisiva da chanceler federal Angela Merkel no início da primeira onda. Ultimamente, a coesão dos estados federados enfraqueceu um pouco. Mas o fator decisivo foi com certeza o fato de a Alemanha ter agido muito rapidamente. Isso foi crucial. Não em termos da data do calendário, mas em relação ao momento em que foi imposto o lockdown, considerando a evolução real da epidemia. Assim, sabíamos de nossa epidemia com base em testes de laboratório. Eles e sua ampla disponibilização distingue a Alemanha de outros países”, reiterou o criador do primeiro teste diagnóstico para COVID-19.

Com isso, o especialista concluiu que a epidemia começou um pouco mais tarde na Alemanha. "Os primeiros casos importados de COVID-19 não viraram epidemia já em janeiro, mas só no final de fevereiro. Os primeiros casos importados foram mantidos sob controle, em vez de se alastrarem. Esta é provavelmente a razão da eficiência da nossa abordagem. Após o lockdown, digamos, a partir de meados de maio, houve na Alemanha apenas poucos casos, e isso não mudou, apesar de termos agora novamente um ligeiro aumento dos contágios”, completou o virologista.

Fonte: DW News

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.