COVID-19 | Vacina russa está pronta para uso e deve ser fabricada no Brasil

Por Felipe Demartini | 11 de Agosto de 2020 às 11h38

O governo da Rússia anunciou na manhã desta terça-feira (11) que uma vacina contra o novo coronavírus foi liberada e está pronta para o uso, com aplicação em massa na população marcada para outubro. A aprovação dos órgãos de saúde do país vem apenas dois meses depois do início dos testes em humanos, com o Brasil sendo um dos países envolvidos no esforço internacional de fabricação das doses, que deve começar em novembro.

No anúncio, o presidente russo Vladmir Putin afirmou que a vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, em Moscou, passou por todas as checagens de segurança e confiabilidade necessárias, provando-se eficaz e, principalmente, garantindo imunidade sustentável contra o novo coronavírus. Como prova da segurança do medicamento, ele disse que sua própria filha foi uma das primeiras a receber uma dose, assim como membros do governo.

É o caso, por exemplo, do próprio chefe do fundo soberano da Rússia, Kirill Dmitriev. Foi ele o responsável por anunciar as parcerias internacionais relacionadas à vacina, afirmando que mais de 20 países já encomendaram doses ou mostraram interesse em fazerem parte do esforço de fabricação, que tem previsão de um bilhão de doses produzidas. Apesar de o Brasil ter sido citado como um dos parceiros de fabricação, não existe uma data de disponibilidade da vacina por aqui.

Segundo o departamento de saúde da Rússia, a base da vacina são as cepas de adenovírus, responsáveis por causar o resfriado comum, usadas de forma adaptada para gerarem uma resposta imunológica contra o coronavírus. Essa também é a linha de pesquisa de muitos institutos internacionais que trabalham em pesquisas buscando o combate ao coronavírus, com versões em diferentes estágios de pesquisa e experimentação.

Perguntas não respondidas

Na coletiva de anúncio, o governo russo não rebateu os questionamentos e dúvidas da comunidade internacional sobre o caráter dos testes e a segurança da vacina, com o ministro da saúde do país, Mikhail Murashko, afirmando apenas que os experimentos comprovaram que ela é eficaz e segura, representando o primeiro passo da “vitória humana contra a COVID-19”.

Cientistas, médicos e a Organização Mundial de Saúde, entretanto, não parecem convencidos. O temor é que a velocidade de anúncio e liberação da vacina russa signifique que o país está pulando etapas importantes na garantia de sua eficácia, principalmente os testes de fase três, que envolveriam milhares de pessoas e são considerados o estágio final de verificação e garantia que qualquer alternativa desse tipo é segura.

Os especialistas também citam que o Instituto Gamaleya não divulgou publicamente nem mesmo os resultados de seus testes de imunidade iniciais, o que impede a avaliação por grupos independentes de pesquisadores. Tais fatos levaram a OMS a não considerar a vacina russa em uma lista de confiabilidade que envolve outras pesquisas, todas atualmente na citada fase três de testes.

No total, mais de 100 vacinas para o coronavírus estão sendo desenvolvidas ao redor do mundo, em diferentes estágios de checagem e testes. A previsão mais otimista da OMS, entretanto, é que elas estejam disponíveis amplamente para a população apenas em meados do ano que vem, mesmo com o desenvolvimento sendo considerado ágil pela organização e especialistas do setor.

Fonte: BBC, UOL  

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