COVID-19 | Países ricos reservaram metade das futuras doses de vacinas

COVID-19 | Países ricos reservaram metade das futuras doses de vacinas

Por Nathan Vieira | 17 de Setembro de 2020 às 18h55
Mykenzie Johnson/Unsplash

A corrida pela vacina que possa representar uma aliada contra a COVID-19 está a todo vapor, com empresas ao redor do mundo na luta para desenvolver um imunizante eficaz. Nesta quinta-feira (17), a Oxfam, ONG que atua na busca de soluções para o problema da pobreza, desigualdade e da injustiça, por meio de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais, anunciou que países ricos já compraram mais da metade do suprimento futuro da vacina contra a COVID-19.

De acordo com a organização, os países mais ricos do mundo, que têm apenas 13% da população global, já compraram mais da metade (51%) das doses das vacinas contra a COVID-19 em desenvolvimento, e as grandes empresas farmacêuticas que estão na corrida para lançar o produto já fazem as contas de quanto vão lucrar. Enquanto isso, dezenas de países e centenas de milhões de pessoas, especialmente as mais pobres, poderão ficar sem a vacina até pelo menos 2022.

A Oxfam analisou, por meio de dados disponibilizados pela empresa AirInfinity, os acordos que empresas farmacêuticas e laboratórios já fecharam com países pelo mundo para a aquisição das cinco principais vacinas em produção hoje – da AstraZeneca, Gamaleya/Sputnik, Moderna, Pfizer e Sinovac. A ONG afirma que as empresas envolvidas nos acordos não têm a capacidade de produzir vacinas suficientes para todos e todas que precisem dela, e que mesmo que as cinco vacinas tenham sucesso, o que é bastante improvável, quase dois terços (61%) da população só terá acesso ao medicamento em 2022.

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A organização em questão ainda faz uma estimativa do custo para disponibilizar a vacina contra a COVID-19 para toda a população mundial: menos de 1% do impacto que a pandemia teve na economia global. Além disso, uma expectativa é que haja perda acumulada para a economia global entre 2020 e 2021 devido à pandemia de cerca de US$ 12 trilhões (R$ 63 trilhões, aproximadamente). O custo de produção e distribuição de uma vacina para toda a população mundial é de cerca de US$ 70,6 bilhões (R$ 368 bilhões, na conversão direta).

A Oxfam e outras organizações pelo mundo estão fazendo campanha para uma Vacina para Todos, sem custos e distribuída de acordo com a necessidade dos países. Isso só será possível se as empresas farmacêuticas permitirem que as vacinas sejam produzidas em toda parte, compartilhando seu conhecimento sem patentes.

Corrida pela vacina

A corrida pela vacina contra a COVID-19 está a todo vapor, com empresas ao redor do mundo na luta para desenvolver uma vacina eficaz(Imagem: Gustavo Fring / Pexels)

A empresa chinesa Sinovac Biotech, em junho, fechou um acordo com o Instituto Butantan em São Paulo, para realizar um grande ensaio clínico com cerca de 9 mil profissionais de saúde. O Butantan pagará pelo teste e recrutará voluntários; em troca, a Sinovac prometeu fornecer ao Brasil 60 milhões de doses de vacina e deixar o país fabricar mais suprimentos.

Enquanto isso, os EUA, por meio de uma iniciativa governamental chamada Operação Warp Speed, já gastou mais de US$ 5 bilhões (R$ 26,3 bilhões aproximadamente) para fazer com que os fabricantes de medicamentos fabricassem vacinas em seu território. A corrida por vacinas avançou com velocidade sem precedentes. Em julho, várias candidatas, incluindo a da Sinovac, se mostraram seguras em testes iniciais em pessoas; a próxima fase dos testes clínicos vai avaliar se elas funcionam para conferir imunidade.

Cerca de 130 vacinas contra a COVID-19 estão sendo produzidas no mundo. No início da pandemia, os Estados Unidos e os financiadores sem fins lucrativos apoiaram fortemente tecnologias avançadas que foram rápidas em gerar candidatas, como a vacina de RNA que está sendo desenvolvida pela Moderna. O país também financia a Johnson & Johnson.

Fonte: Oxfam

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