Cientistas criam nanossensor que pode substituir exames de coração no futuro

Cientistas criam nanossensor que pode substituir exames de coração no futuro

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 14 de Janeiro de 2022 às 11h50
Alexandru Acea/Unsplash

Pesquisadores da University of California San Diego (EUA) desenvolveram um nanossensor capaz de monitorar os sinais elétricos que viajam pelo tecido cardíaco, tão pequeno que pode perfurar a membrana externa de células cardíacas individuais sem prejudicá-las. As descobertas foram publicadas na revista científica Nature Nanotechnology.

Saber como os sinais elétricos viajam pelo coração é importante para identificar determinadas complicações, como arritmia, ataque cardíaco e fibrose cardíaca. Para que não sejam rejeitados pelo organismo, esses nanossensores são revestidos com moléculas orgânicas que impedem o sistema imunológico de identificá-los como corpos estranhos.

"Estudar como um sinal elétrico se propaga entre diferentes células é importante para entender o mecanismo da função celular e da doença. Se o sinal não puder se propagar corretamente de uma parte do coração para outra, significa que alguma região cardíaca não pode receber esse sinal, então não pode se contrair", afirma o principal autor do estudo, Yue Gu.

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Nanossensor monitora sinais elétricos que viajam pelo tecido cardíaco (Imagem: Reprodução/University of California San Diego)

“Com este dispositivo, podemos ampliar o nível celular e obter uma imagem de alta resolução do que está acontecendo no coração, podemos ver quais células estão com defeito, quais partes não estão sincronizadas com as outras e identificar onde o sinal é fraco. Esta informação pode ser usada para ajudar a informar os médicos e capacitá-los a fazer melhores diagnósticos", completa o orientador do estudo, Sheng Xu.

Por enquanto, a tecnologia foi testada em culturas de células do músculo cardíaco, mas os cientistas já trabalham para implantar o nanossensor no coração de um animal vivo real e esperam que um dia possam usar o dispositivo em seres humanos. Se um dia isso acontecer, o dispositivo poderá fornecer a médicos e pacientes informações que, hoje em dia, apenas exames como Holter e ecocardiograma conseguem oferecer.

Fonte: Nature Nanotechnology via University of California San Diego

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