Cientistas criam exame de sangue capaz de prever risco de morte

Por Rafael Arbulu | 23 de Agosto de 2019 às 22h00

Um grupo de pesquisadores holandeses desenvolveu um novo método de exames de sangue que pode prever a probabilidade de morte de uma pessoa nos próximos anos. A novidade, segundo eles, é capaz de identificar a presença de células comumente relacionadas a aflições e doenças que podem levar um indivíduo a óbito e, com isso, incentivar as pessoas a adotarem práticas e hábitos mais saudáveis.

“A associação de nossos marcadores biológicos com a morte é bem forte”, explicou a autora do estudo, P. Eline Slagboom, expert em processos de longevidade e envelhecimento humano, em um e-mail enviado à Discover Magazine. A descoberta, segundo ela, “é particularmente impressionante, considerando que se baseia em 14 marcadores metabólicos no sangue, medidos em um ponto único na vida dos indivíduos”.

A ideia de saber o quão próximo você está de morrer pode ser assustadora, mas os pesquisadores defendem a sua aplicação clínica. Eles indicam, por exemplo, que uma pessoa com um índice de mortalidade mais alto pode ou não ser frágil demais para uma intervenção cirúrgica e recomendar outros métodos e cura ou controle, por exemplo.

"Biomarcadores" descobertos por pesquisadores holandeses fazem com que um novo exame de sangue possa prever riscos de morte em populações de várias idades

A pesquisa coletou dados de sangue e clínicos de bancos ao redor do mundo, totalizando mais de 44 mil cidadãos europeus com idades entre 18 e 109 anos. Nas idades mais longevas, cerca de 5,5 mil participantes morreram durante o curso do estudo. Por eles, os cientistas identificaram quais biomarcadores estavam mais associados à mortalidade e testaram suas descobertas em pessoas de variados grupos etários.

Os 14 marcadores identificados no estudo são independentes, o que significa que um deles ou a combinação de vários deles podem ser causas para diversas doenças: no exemplo do estudo, níveis mais altos de glicose sugerem mortalidade alta (risco de diabetes, por exemplo), enquanto o teor de gordura poli-insaturada frente ao total de ácidos gordurosos pode significar um quadro mais saudável.

Ao analisar os dados encontrados, os pesquisadores viram que os biomarcadores serviam de indicativo de previsão de morte em intervalos de cinco a 10 anos, mantendo-se estável até mesmo em indivíduos que já passaram dos 60 anos de idade.

“É realmente surpreendente o fato de que, se você analisar amostras de sangue uma única vez na vida de uma pessoa idosa, essa amostra pode refletir a vulnerabilidade de tal forma que você consegue antecipar riscos de morte em cinco ou 10 anos com boa precisão”, disse Joris Deelen, outra autora do estudo.

A ideia agora é aplicar as descobertas dessa pesquisa em aplicações práticas, melhorando intervenções médicas: “Queremos testar se nossa pontuação de biomarcadores pode determinar se há melhorias em quadros de alta mortalidade quando medicações padrão são usadas na população idosa”, disse Slagboom.

Fonte: Discover Magazine

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