China aprova primeiro coquetel de anticorpos contra covid

China aprova primeiro coquetel de anticorpos contra covid

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 09 de Dezembro de 2021 às 17h22
iLexx/Envato Elements

A China aprovou o primeiro coquetel de anticorpos monoclonais para o tratamento da covid-19 na quarta-feira (8). A terapia foi desenvolvida pela farmacêutica Brii Biosciences, com sede dividida entre o país asiático e os Estados Unidos. No Brasil, tratamentos similares já são adotados para reduzir os riscos de pacientes desenvolveram formas graves da infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2.

Segundo os dados apresentados pela Brii Biosciences, a terapia de anticorpos monoclonais têm uma eficácia de 80% contra internações hospitalares e óbitos em decorrência da covid-19. A taxa de proteção foi medida em um estudo global de Fase 3.

No estudo divulgado pela empresa, 847 pacientes infectados pelo coronavírus e não hospitalizados foram recrutados. Para participar, essas pessoas precisavam ter algum fator de risco para covid (comorbidades), ou seja, apresentar possibilidade de desenvolver quadros graves da infecção. Nenhum evento adverso sério foi identificado.

China aprova primeira terapia com anticorpos monoclonais contra a covid-19 (Imagem: Reprodução/Romankosolapov/Envato Elements)

Após analisar os dados, a agência reguladora de produtos médicos da China concedeu aprovação para a combinação de dois anticorpos monoclonais — o BRII-196 e o BRII-198. O uso é recomendado para pessoas com mais de 18, com risco de desenvolver casos graves da covid. Além disso, foi concedida aprovação condicional para pacientes de 12 a 17 anos.

Durante os testes, foi possível observar que a nova terapia também é eficaz contra as variantes do coronavírus, como a Alfa (B.1.1.7), Beta (B.1.351) e Delta (B.1.671.2). No momento, os testes com a cepa Ômicron (B.1.1.529) estão em andamento.

Como funciona o tratamento com os anticorpos?

O tratamento com o coquetel de anticorpos sintéticos é administrado por infusão. As moléculas destas proteínas foram feitas em laboratório (sintéticas), a partir de amostras de anticorpos identificadas em pacientes que se recuperaram da infecção.

No organismo, os anticorpos monoclonais agem de forma similar aos anticorpos neutralizantes humanos. Em outras palavras, combatem o vírus da covid-19, impedindo que a infecção avance para outras células saudáveis do corpo.

“O tratamento atua contra o coronavírus e pode aumentar a imunidade [de pacientes que o receberam], o que pode durar de nove a 12 meses após uma dose", explica Zhang Linqi, professor da Escola de Medicina da Universidade Tsinghua e um dos pesquisadores responsáveis pela inovação.

Anticorpos monoclonais no Brasil

Além da China, a Brii Biosciences aguarda análise da Food and Drug Administration (FDA), nos EUA, para conceder (ou não) a autorização de uso emergencial do medicamento. Por enquanto, não foi solicitada a análise de uso da terapia no Brasil.

Até o momento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso dos seguintes anticorpos monoclonais contra a covid-19:

  • Casirivimabe e imdevimabe, produzidos pelas farmacêuticas Regeneron e Roche;
  • Banlanivimabe e etesevimab, da Eli Lilly;
  • Regdanvimabe, da Regkirona;
  • Sotrovimabe, da GSK.

Fonte: South China Morning Post e Anvisa   

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