Giro da Saúde: BR testa 3ª dose da AstraZeneca; variante Delta: mitos e verdades

Giro da Saúde: BR testa 3ª dose da AstraZeneca; variante Delta: mitos e verdades

Por Luciana Zaramela | 18 de Julho de 2021 às 08h00

A semana passada foi recheada de notícias interessantes relacionadas à inovação científica e à área da saúde. No meio do furacão da COVID-19 e das vacinas, trazemos alguns destaques que sacudiram o noticiário e que devem nortear o que está por vir em relação a novas variantes do coronavírus.

Confira tudo em menos de cinco minutinhos, aqui no Giro da Saúde!

Terceira dose da AstraZeneca em testes no Brasil

Terceira dose para quem foi totalmente imunizado com a Pfizer (Imagem: FabrikaPhoto/Envato Elements)

Um novo estudo vai testar, aqui no Brasil, se uma terceira dose de reforço com a vacina da AstraZeneca casa bem com quem tomou imunizante com tecnologia de RNA mensageiro — no caso, a vacina da Pfizer, única do tipo que é aplicada atualmente no país. A pesquisa acontecerá na Bahia, no Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia, sob administração da Rede Ebserh (Hupes-UFBA/Ebserh).

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Os cientistas também irão avaliar, além da dose de reforço, a eficácia de uma versão modificada da vacina, que deve proteger contra a variante Beta (B.1.351, identificada pela primeira vez na África do Sul). Cerca de 800 voluntários de diversas cidades brasileiras, sendo 100 da Bahia, irão participar do estudo.

E aí, quer ser voluntário? Para participar da pesquisa, é preciso ter sido imunizado com as duas doses da vacina da Pfizer. Nós explicamos como proceder.

Novos eventos adversos raros pós-vacina da Janssen

Rara, a síndrome acomete menos de 0,0008% dos vacinados (Imagem: Natabuena/Envato Elements)

De acordo com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), a imunização contra a COVID-19 foi associada a novos eventos adversos considerados raros: com base em dados preliminares de pesquisas conduzidas por lá, poucos casos da síndrome de Guillain-Barré, que é uma doença neurológica capaz de acometer os nervos do paciente, foram detectados em quem se imunizou com a vacina da Janssen.

Foram relatados cerca de 100 casos suspeitos da síndrome de Guillain-Barré, após a aplicação de 12,8 milhões de doses da vacina no país — o que, numericamente, representa menos de 0,0008% dos vacinados com a fórmula. A síndrome apareceu cerca de duas semanas após a vacinação, acometendo, na maioria dos casos, homens acima de 50 anos.

Copa América traz nova variante do coronavírus ao Brasil

Teve Copa América, teve Brasil em segundo e teve variante colombiana (Imagem: Pixabay/Pexels)

Com a final da Copa América no sábado passado (10), uma notícia mais infeliz que o segundo lugar para a seleção também circulou no Brasil: segundo o Estadão, dois jogadores estrangeiros que participaram do campeonato trouxeram ao menos uma nova cepa do coronavírus, ainda sem nome baseado em alfabeto grego, mas já apelidada de "variante colombiana".

A Conmebol já havia revelado no final de junho que 166 pessoas relacionadas à Copa América testaram positivo para o vírus. Depois disso, segundo análises de amostras coletadas no Mato Grosso de duas pessoas infectadas pela doença, um colombiano e um equatoriano, a presença da variante B.1216 foi identificada. Tal cepa se originou na Colômbia, e depois se espalhou para os EUA e algumas regiões da Europa. Ainda não há comprovações de que essa mutação possa ser ainda mais contagiosa do que a Delta, por exemplo, ou mais fatal, já que é considerada uma variante nova.

Aqui você encontra mais detalhes sobre o caso

No Chile, pesquisadores indicam terceira dose da CoronaVac

A indicação, após a pesquisa, é de uma dose de reforço (Imagem: Luciana Zaramela/Canaltech)

Estudos realizados no Chile com a CoronaVac trouxeram à tona a necessidade de se aplicar uma dose de reforço da vacina, já que a variante Delta é a mais nova ameaça à saúde pública. A orientação foi compartilhada após análises observarem queda nos níveis de anticorpos seis meses após a aplicação. Aliás, os pesquisadores observaram uma capacidade de neutralização da variante Delta (B.1.671.2), porém, menor que a obtida contra o vírus original.

O estudo acompanhou a população vacinada no Chile, e contou com 2 mil voluntários que foram imunizados com a vacina da Sinovac. A equipe identificou que seis meses após receber a primeira dose da vacina, menos de 3% deles contraíram COVID-19 de forma grave, o que infere em alta eficácia do imunizante contra casos mais severos.

No entanto, foi detectada uma queda geral no nível de anticorpos e na imunidade celular contra o coronavírus. A partir desses achados é que a terceira dose da CoronaVac passou a ser recomendada pela equipe. Para Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, ainda é cedo para pensar na dose de reforço no Brasil, já que a vacinação dos mais jovens deve ser completada primeiro.

Xô, fake news: mitos e verdades sobre a variante Delta

Variante Delta causa, sim, sintomas (twenty20photos/Envato)

Circula nas redes sociais e apps mensageiros mais uma fake news, desta vez relacionada à variante Delta do coronavírus: afinal de contas, ela não causa febre e nem tosse? Vai direto para o pulmão? Calma, antes de sair acreditando em falácias, o melhor a se fazer é consultar fontes que entendem do assunto e deixar tudo bem esclarecido.

Um estudo de monitoramento realizado no Reino Unido identificou que pacientes infectados com a Delta apresentam menos sintomas "normais" da COVID-19, como perda de olfato e tosse. No entanto, isso é diferente de afirmar que os sintomas não existem mais. Por exemplo: a perda do olfato chegou a deixar a lista dos dez sintomas mais frequentes, mas, dor de cabeça, dor de garganta, coriza e febre se tornaram os principais sintomas reportados pelos pacientes britânicos.

Outro esclarecimento importante: não existe nenhum indício de que a variante Delta favoreça “falsos negativos” nos exames que verificam a infecção. Além disso, nenhuma variante do coronavírus ataca diretamente os pulmões — eles não são a porta de entrada do agente infeccioso no organismo. O processo de infecção começa pelo nariz, boca e vias aéreas.

Agora, uma coisa é certa: a variante Delta é realmente mais transmissível. Ela pode ter uma capacidade de transmissão 97% maior que o vírus sem mutações, segundo relatório feito por cientistas ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS). Só não dá para saber, até o momento, se ela é mais mortal que as demais.

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