Após investigações sobre efeitos, Oxford pausa testes de vacina em crianças

Por Fidel Forato | 06 de Abril de 2021 às 22h30
Pixabay

No combate ao novo coronavírus (SARS-CoV-2), muitos países adotam a vacina Covishield (Oxford/AstraZeneca) para a imunização, como o Brasil e o Reino Unido. Na população britânica, mais de 18 milhões de adultos já foram imunizados contra a COVID-19 com a fórmula, mas pode ser que o composto seja, de fato, responsável por um efeito adverso raro, a coagulação do sangue, incluindo a trombose do seio venoso cerebral (CVST). 

Do 18 milhões de imunizados com a Covishield no Reino Unido, foram relatados cerca de 30 casos de coagulação sanguínea e sete óbitos até o momento, de acordo com o jornal The Guardian. No entanto, não é consenso que a vacina contra a COVID-19 seja a responsável pelo quadro clínico, mas especialistas começam a divergir sobre a questão. A principal ideia é que seja um efeito adverso raro. No Brasil, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não notificou nenhum caso de trombose entre os imunizados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também apoia o uso da fórmula.

Cientistas questionam efeito adverso raro da vacina Covishield (Imagem: Reprodução/Photocreo/Envato)

Questão de segurança com a vacina de Oxford/AstraZeneca

Diretor da Drug Safety Research Unit (DSRU) da Universidade de Southampton, no Reino Unido, Saad Shakir afirmou que as evidências acumuladas na Europa e no Reino Unido de ligações entre a vacina Covishield e os raros coágulos sanguíneos “são consistentes com a causalidade”. No entanto, o pesquisador defende que, mesmo que haja algum grau de risco envolvido, a imunização não deve parar.

Por outro lado, os riscos devem ser mitigados, o que pode ser feito com a redução do público alvo do imunizante. Por exemplo, mulheres com menos de 55 anos, que parecem ser as mais afetadas pelos casos de coagulação, poderiam optar por outra fórmula. De acordo com a análise da DSRU, os casos de trombose estavam relacionados ao imunizante.

Além disso, o responsável pela estratégia de vacinação contra a COVID-19 da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Marco Cavaleri, também defende que existe alguma ligação entre a vacina Covishield e os acidentes vasculares raros, segundo o jornal italiano Il Messaggero. No entanto, a EMA negou que já tenha estabelecido uma conexão causal entre a vacina e os coágulos e, dessa forma, aquela é uma opinião individual.

Na Europa, alguns países optaram por reduzir o uso da vacina Covishield, limitando as aplicações apenas para pessoas mais velhas. Na Alemanha, a recomendação de uso é para grupos com mais de 60 anos, enquanto a França optou por pessoas com mais de 55. Vale destacar que, inicialmente, agências reguladoras europeias questionaram o uso da fórmula para pessoas mais velhas e chegaram, inclusive, a paralisar o uso.

Pausa nos testes

De forma oposta a essa discussão, a Universidade de Oxford realiza testes em mais de 200 crianças e adolescentes, com idades entre 6 e 17 anos, para verificar a segurança e eficácia do imunizante no grupo. No entanto, a pesquisa foi interrompida, nesta terça-feira (6), como uma medida de precaução em resposta às investigações da Autoridade Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido e da EMA, de acordo com um porta-voz da universidade. 

Em comunicado, o porta-voz da Universidade de Oxford explicou: “Embora não haja preocupações de segurança no ensaio clínico pediátrico, aguardamos informações adicionais do MHRA sobre sua revisão de casos raros de trombose/trombocitopenia que foram relatados em adultos, antes de dar qualquer outra vacinação no ensaio". No momento, os reguladores discutem se alguma decisão deve ser tomada em relação ao possível risco de trombose causado pelo imunizante, mas isso só deve ser esclarecido nos próximos dias.

Fonte: The Guardian  

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