Algoritmos de IA já conseguem aprimorar a memória humana

Por Redação | 06 de Fevereiro de 2018 às 18h27

A ciência ainda está longe de entender o cérebro humano em sua totalidade. Claro, muitos avanços foram feitos na medicina nas décadas recentes, mas podemos dizer que o cérebro ainda é recheado de mistérios a serem desvendados. E, falando especificamente sobre a nossa memória, ainda há muito o que descobrir.

Mas, no que depender de uma equipe de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, a inteligência artificial será capaz de dar uma forcinha para os humanos, aprimorando a nossa memória de maneira sem precedentes. Um estudo conduzido pelo psicólogo Michael Kahana foi publicado na última edição da Nature Communications, mostrando que algoritmos de IA podem ser usados para decodificar e aumentar a memória humana – e isso é possível ao desencadear a entrega de pulsos elétricos precisamente cronometrados para o cérebro.

Para realizar o estudo, os pesquisadores chamaram 25 pacientes de epilepsia, e implantaram entre 100 e 200 eletrodos em seus cérebros para monitorar a atividade elétrica relacionada às crises. Os cientistas então gravaram a atividade cerebral durante tarefas que envolviam a memória.

Participe do nosso GRUPO CANALTECH DE DESCONTOS do Whatsapp e do Facebook e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Então, eles conseguiram determinar o estado cerebral enquanto a pessoa estava memorizando coisas e, à medida em que os pacientes liam e tentavam gravar aquelas palavras em suas mentes, Kahana e sua equipe reuniram milhares de medidas de voltagem por segundo de cada um dos eletrodos. Depois, registraram quais padrões da atividade cerebral foram associados às lembranças de uma palavra, contra o esquecimento de outra.

Depois de vários testes repetidos, a equipe coletou dados suficientes para criar algoritmos específicos que poderiam prever quais as palavras que cada paciente possivelmente se lembraria. Assim, os pesquisadores tentaram estimular o cérebro de maneira específica para que conseguisse resgatar a formação da memória em tempo real.

O experimento funcionou muito bem, e o sistema desenvolvido melhorou a capacidade dos pacientes de recuperar a lembrança das palavras esquecidas em uma média de 15%. "Estamos usando a aprendizagem de máquinas para construir um decodificador, algo que pode olhar para a atividade elétrica e dizer se o cérebro está em um estado que é propício para a aprendizagem", explica Kahana. Caso o sistema identifique que o cérebro não está codificando memórias com eficácia, ele é capaz de rapidamente entregar pulsos elétricos para aprimorar sua capacidade de memorização.

Esse estudo é bastante preliminar, mas abre as portas para um aprofundamento maior desta tecnologia, permitindo, quem sabe, a criação de métodos para elevar a memória humana a níveis sobre-humanos. Resta acompanhar os estudos futuros e a possibilidade de uma implementação da tecnologia na vida real, além dos laboratórios de estudo.

Fonte: Wired

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.