Algoritmo detecta quem não pode esperar pelo tratamento do câncer na pandemia

Por Natalie Rosa | 08 de Junho de 2020 às 21h40
Reprodução: Pixabay

Durante o período atual de pandemia do novo coronavírus, cirurgias e procedimentos vêm sendo evitados sempre que possível, deixando a prioridade para casos urgentes. A medida ajuda a evitar a propagação do SARS-CoV-2, uma vez que ambientes hospitalares são mais propícios para a contaminação.

E para decidir quais são as operações que precisam ser feitas urgentemente, pequisadores do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, criaram um algoritmo que consegue fazer essa identificação facilmente. O projeto, que usa como base dados de diversos testes internacionais, tem como foco pacientes que sofrem de câncer de mama e precisam de cirurgia ou quimioterapia.

O algoritmo é capaz de identificar as pacientes que estão na pós-menopausa com câncer de mama primário ER + HER2-, existente em 70% dos casos e que possuem tumores menos sensíveis ao sistema endócrino, e aquelas que precisam ser prioridade para cirurgia precoce ou quimioterapia neoadjuvante.

Imagem: Reprodução/Pixabay

Com a pandemia tornando a seleção para cirurgias mais seletiva, pacientes que são diagnosticadas com câncer de mama tripo negativo ou HER2 positivo ainda são direcionadas para quimioterapia urgente, ou cirurgia. Já outro grande grupo de pacientes estão tendo seus tratamentos adiados, recebendo prescrição para terapia endócrina neoadjuvante, que reduz a estimulação da doença por estrogênio, sem a necessidade da remoção cirúrgica da mama.

De acordo com o estudo, 85% das pacientes que tiveram suas cirurgias adiadas estavam seguras para ter o procedimento adiado por até seis meses e serem tratadas pela terapia endócrina neoadjuvante, enquanto 15% podem ser identificadas como resistentes ao tratamento, correndo o risco de ver a doença se espalhar. "O tratamento pode bloquear o crescimento do tumor com sucesso em muitas mulheres, mas uma em seis que são resistentes há um risco de que o tumor continue a crescer e a se espalhar", conta o professor Mitch Dowsett, um dos colaboradores do estudo.

Dowsett conta também que o algoritmo foi criado com dados não-publicados de testes clínicos envolvendo milhares de pacientes, usando ainda informações dos receptores de estrogênio e progesterona, e tumores de pacientes recém-diagnosticadas. Os dados, então, foram aplicados no algoritmo que é capaz de identificar imediatamente o melhor tratamento para cerca de 80% dessas mulheres.

"É importante que possamos tratar a maior quantidade de pacientes que precisam de tratamento ou cirurgia urgente, da maneira mais segura possível durante a pandemia da COVID-19", completa Peter Barry, consultor de cirurgia de mama do instituto de pesquisa.

Fonte: Eureka Alert

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