Robô-camaleão consegue mudar a própria a cor para ficar invisível

Robô-camaleão consegue mudar a própria a cor para ficar invisível

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 13 de Agosto de 2021 às 13h00
Reprodução/Seoul National University

Pesquisadores da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, desenvolveram um robô-camaleão capaz de mudar de cor conforme o ambiente onde está. Os cientistas combinaram uma tinta termocrômica de cristal líquido com aquecedores de nanofios de prata para criar um efeito de camuflagem semelhante ao animal de verdade.

Enquanto a camuflagem ativa encontrada na natureza depende principalmente da ação mecânica das células musculares, o sistema artificial utiliza sensores externos para detectar a coloração presente na paisagem de acordo com o comprimento de onda. Esse mecanismo faz com que o robô consiga se “misturar” ao fundo, seguindo padrões dentro da paleta RGB.

“O robô consegue andar e mudar de cor ao mesmo tempo, então é como um camaleão de verdade em pleno funcionamento. A pele eletrônica artificial ajusta seus matizes instantânea e automaticamente para combinar com as cores de fundo sobre as quais o robô rasteja”, explica o engenheiro mecânico Seung Hwan Ko, autor principal do estudo.

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Camuflagem

Para se misturar ao ambiente, o robô pode exibir cores diferentes e vários padrões pré-programados em seu exterior. O efeito de camuflagem é replicado graças a uma fina camada de tinta líquida que muda de tonalidade quando aquecida. Quando as partículas presentes na tinta se agrupam em estruturas helicoidais maiores, elas podem refletir uma cor específica conforme o comprimento de onda.

Quantidades diferentes de calor criam estruturas com tamanhos distintos, permitindo a exibição de praticamente qualquer cor no espectro de luz. Sensores na parte inferior do robô avaliam as tonalidades e transmitem informações para uma central de controle, que liga os aquecedores de nanofios de prata para dosar a temperatura de acordo com as cores no chão.

“Nós adicionamos alguns modelos de cores predefinidos para permitir que o robô altere não apenas a cor da pele artificial, mas também os padrões exibidos. Isso ajuda o bot a mudar sua coloração em menos de meio segundo enquanto caminha pelo chão, fazendo com que ele consiga replicar várias camadas de cor ao mesmo tempo”, acrescenta Ko.

Limitações

O controle térmico do revestimento de cristal líquido ainda possui várias limitações técnicas que dificultam o seu uso em grande escala. Em primeiro lugar, a pele artificial é mais fácil de aquecer do que de esfriar, impedindo que o robô mude de uma cor quente, como o vermelho, para uma cor fria, como o azul, na mesma velocidade.

Além disso, as faixas de temperatura que o robô consegue distinguir são muito estreitas, fazendo com que a pele seja afetada pelo ambiente, principalmente em climas mais frios ou sob a luz solar direta em um dia quente. “A natureza faz com que pareça tão fácil, mas o tempo de resposta e a arbitrariedade dos padrões na pele do camaleão são difíceis de replicar”, lembra Ko.

Para resolver esses problemas com o calor, os cientistas trabalham em uma nova versão do robô-camaleão que possui um sistema de resfriamento integrado aprimorado, capaz de ampliar a faixa de temperatura e acelerar os reflexos de resposta do bot em situações que exijam mudanças de cores repentinas e variadas.

“Esse é um dos primeiros dispositivos a mudar de cor e padrões com base em seu ambiente. Isso pode ajudar na criação de uma nova geração de roupas com camuflagem ativa para aplicações militares ou auxiliar designers no desenvolvimento de estilos de moda com peças que trocam de tonalidade conforme a ocasião”, completa o cientista.

Fonte: Nature

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