Pesquisadores brasileiros criam robô submarino para fazer inspeção em navios

Por Redação | 18 de Agosto de 2015 às 08h36
photo_camera Foto: Reprodução

Alunos de graduação e pós-graduação de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Paulo, desenvolveram um veículo robótico submarino capaz de fazer a inspeção de cascos de navios.

Sob coordenação do professor Juan Pablo Julca Avila e com apoio da FAPESP, o protótipo do veículo possui propulsores e esteiras motorizadas, flutuadores e sensores. Ele já foi testado e aprovado em uma piscina de mergulho e no tanque de provas do Departamento de Engenharia Naval da USP (Universidade de São Paulo).

Durante os testes, o veículo funcionou com sucesso respondendo aos comandos remotos dos operadores tanto nos modos "voo livre" quanto no "rastejo". Avila diz que, na segunda fase da pesquisa, o protótipo deverá ser levado à Santos "para testar a sua locomoção e o sistema de aderência sobre o casco de um navio em alto-mar".

O veículo tem como diferencial, em comparação com outros similares, o uso da câmera e a possibilidade de se deslocar sobre o casco com a ajuda de esteiras. Assim, com o auxílio de um equipamento de ultrassom, a novidade consegue detectar fissuras, falhas estruturais e ainda verificar se a espessura do casco está de acordo com os limites de tolerância.

O veículo adere ao navio por meios mecânicos usando quatro propulsores dispostos de maneira vertical. As hélices dos propulsores o pressionam contra o casco quando giram em um sentido e, quando o giro é do lado contrário, elas se afastam. Por isso foi evitado o uso das rodas magnéticas, que tornariam o procedimento difícil e o veículo mais pesado na hora de manobrar.

"Trata-se de um veículo robótico híbrido que combina dois modos de operação. O primeiro é o do ‘voo livre’, no qual, propulsionado por hélices, ele se movimenta debaixo d’água, dirigindo-se à região de interesse. Uma vez perto do navio, o veículo se posiciona de forma que sua base fique em contato com o casco. Então, entra em funcionamento o segundo modo de operação, que é o de ‘rastejo’, no qual ele usa esteiras motorizadas para se deslocar", comenta Avila.

Com as suas características, o veículo se torna um HROV (Hybrid Remotely Operated Vehicle) e não um ROV (Remotely Operated Vehicle), como os modelos mais comuns. Ele funciona com energia elétrica provida de uma fonte externa transmitida por meio de um cabo umbilical e é montado em uma estrutura de polipropileno.

"Com sua robustez estrutural e controle automático de aderência baseado na medição da pressão de contato, é capaz de operar em ambiente offshore", completou o pesquisador.

Avila ainda afirma que o seu grupo já entrou em contato com o órgão da UFABC encarregado pelos pedidos de patentes.

Fonte: Exame, Agência Fapesp

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