Astronauta controla robô na Terra e dá um novo passo para a exploração espacial

Por Redação | 10.09.2015 às 08:22

O uso de robôs para exploração espacial não é exatamente uma grande novidade. As sondas, como a Curiosity, estão aí para provar isso. No entanto, alguns pesquisadores europeus conseguiram trazer uma enorme novidade que vai ajudar — e muito — a análise e estudos em outros planetas. A partir de uma nova tecnologia apresentada nesta semana, um astronauta conseguiu controlar um robô aqui na Terra diretamente do espaço.

Pode parecer pouca coisa, mas isso representa um avanço e tanto. Até então, os robôs enviados para o espaço trabalhavam a partir de uma espécie de inteligência artificial, respondendo apenas a funções pré-programadas. No entanto, o experimento realizado por cientistas europeus nesta segunda-feira (07) conseguiu fazer com que astronautas comandassem braços mecânicos a centenas de quilômetros de distância e com uma precisão absurda.

O escolhido para realizar os testes foi o dinamarquês Andreas Mogensen, que controlou o robô Interact Centaur a uma distância de 400 quilômetros da superfície de nosso planeta e conseguiu utilizar os braços mecânicos para encaixar pequenas estruturas em pequenos orifícios, provando que a novidade consegue oferecer toda a precisão desejada, mesmo com toda a distância.

Interact Centaur

De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA), que idealizou todo o projeto, a grande conquista com o teste foi exatamente fazer com que os sinais enviados por Mogensen chegassem ao robô em qualquer tipo de interferência ou problema de comunicação. Ela explica que tudo isso só foi possível graças a um sistema complexo de satélites que emitiam sinais rápidos, o que permitiu a sincronização dos comandos com a sua execução a centenas de quilômetros de distância.

E foi exatamente essa combinação que fez com que o Interact Centaur funcionasse com precisão cirúrgica, executando sua tarefa de maneira precisa e sem qualquer tipo de variação significativa.

Só que o que chamou a atenção não foi apenas o feito, mas também a simplicidade de todo o projeto. Embora o resultado tenha sido algo inédito para a ciência, o custo para isso não foi tão astronômico quanto estamos acostumados a ver em experimentos espaciais. A construção do robô custou menos de 200 mil euros, ou seja, cerca de R$ 850 mil na cotação atual.

Esse baixo custo se dá exatamente pelos materiais usados na construção do Interact Centaur, que é feito inteiramente de fibra de vidro. E, além de seus braços mecânicos que podem ser controlados por alguém na órbita da Terra, ele possui uma câmera integrada que permite ao astronauta visualizar o que está fazendo de maneira clara e objetiva — o que é fundamental para sua precisão.

Já na Estação Especial Internacional, o astronauta comandava tudo a partir de um joystick equipado com uma tecnologia que permite que ele tenha uma resposta nas mãos do que está acontecendo — o chamado Force Feedback. Com isso, ele conseguia sentir a força mesmo a centenas de quilômetros de distância, como se fosse o seu braço segurando a peça metálica usada no teste.

Conforme destacado por cientistas e engenheiros da Agência Espacial Europeia que acompanharam o experimento, esse tipo de tecnologia tátil tem aplicações enormes para estudos em outros planetas, principalmente ao permitir que humanos usem esses robôs guiados para executar tarefas mais delicadas sem a preocupação de que a "insensibilidade" da máquina atrapalhe o processo.

Como o chefe do departamento de telerrobótica da ESA disse à agência de notícias AFP, tudo isso vai permitir projetar uma presença humana aos robôs para a realização de tarefas na superfície de outros planetas. Mais do que isso, Andre Schiele acredita que isso representa um enorme avanço na possibilidade de levar humanos para outros pontos do espaço.

Segundo ele, o maior desafio quanto a isso foi trazer as pessoas de volta de Marte para a Terra, por exemplo, uma vez que não existe uma plataforma de lançamento que possibilitasse esse retorno. Contudo, ele aponta que robôs como o Interact Centaur podem ser o primeiro passo nesse sentido, uma vez que eles podem ser enviados a esses locais exatamente para a construção dessas bases — em outras palavras, uma espécie de operário espacial.

Só que essa novidade não é de uso exclusivo de astronautas e de missões em outros planetas. Como Schiele explica, a utilização desses robôs pode ser feita em qualquer lugar em que você não queira (ou não possa) enviar humanos. Tanto que algo semelhante já havia sido usado anteriormente para conter o vazamento de óleo no Golfo do México, em 2010, e para ajudar a selar os reatores nucleares da usina de Fukushima, no Japão, em 2011.

Via: Yahoo! News