Vendas globais da Huawei crescem mesmo com banimento dos EUA

Por Felipe Demartini | 16 de Outubro de 2019 às 11h54
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O banimento imposto pelo governo dos Estados Unidos à Huawei pode ter machucado um pouco a empresa, mas os ferimentos já parecem ter curado. Em uma nova divulgação de números, a companhia anunciou um crescimento de 24,4% nas vendas entre janeiro e setembro deste ano, com US$ 86 bilhões acumulados e uma ampla recuperação em relação aos números do primeiro semestre deste ano.

Após um período de estremecimento, os negócios da empresa chinesa parecem ter voltado a acelerar a partir de julho, no período correspondente ao terceiro trimestre de 2019. O resultado positivo tem a ver, principalmente, com o 5G, com a Huawei anunciando já ter mais de 60 contratos assinados para instalação de infraestrutura relacionada às novas redes. Enquanto isso, no setor de smartphones, seriam 185 milhões de aparelhos enviados às lojas, um aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano passado.

A companhia não esmiuçou os resultados de cada um de seus setores além do 5G, principalmente aqueles mais atingidos pelo banimento, como é o caso da indústria mobile. Isso acontece porque a Huawei não tem ações negociadas publicamente, portanto não tem a obrigação de revelar seus dados financeiros publicamente. Apesar disso, a empresa decidiu abrir os dados, mesmo que em partes, como uma forma de demonstrar que sua saúde financeira vai muito bem, obrigado.

A fabricante, por outro lado, disse que sua margem de lucros durante os primeiros nove meses do ano se manteve inalterada, na casa dos 8,7%, o mesmo patamar exibido no primeiro semestre. Na comparação do segundo com o terceiro trimestre de 2019, o aumento nas vendas foi de 14%. Mesmo no auge do banimento, anunciado em maio, a empresa jamais apresentou números negativos: a proibição foi anunciada em maio e, no segundo trimestre de 2019, as vendas teriam aumentado 13%.

A expectativa dos analistas é de uma melhora ainda maior, principalmente se o governo dos Estados Unidos cumprir suas promessas. A restrição aos negócios da Huawei deve continuar valendo, mas a administração de Donald Trump já disse estar trabalhando em licenças de exceção para que as companhias do país possam continuar trabalhando com a chinesa em contratos que não envolvam materiais ou questões prejudiciais à segurança nacional. Tais permissões ainda não saíram, mas os oficiais dizem que elas estão à caminho.

Enquanto isso, a Huawei continua trabalhando em um regime temporário com algumas companhias americanas, de forma a reduzir a quebra nos negócios causada pela proibição repentina. A companhia asiática pode até ficar de fora de contratos lucrativos com o governo e da instalação da infraestrutura do 5G no país, mas, mesmo nos EUA, seu futuro pode acabar não sendo tão sombrio quanto se esperava quando Trump anunciou a restrição.

E se, como os executivos da própria fabricante afirmam, a medida foi uma jogada política para reduzir a influência da Huawei no mundo, essa tentativa não poderia ter dado mais errado. A empresa espera fechar o ano com números ainda mais positivos e, por mais que não tenha divulgado previsões, acredita que o abrandamento das tensões só deve fazer bem à sua saúde financeira, mostrando que todo o problema, no final das contas, não a atingiu tanto assim.

Fonte: The New York Times

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