Twitter tem crescimento em receita e usuários, mas vê ações caírem 18%

Por Felipe Demartini | 24 de Outubro de 2019 às 21h30
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Mesmo apresentando crescimento e resultados positivos, o Twitter continua na mira do mercado. Ao anunciar os números referentes ao terceiro trimestre de 2019, a rede social viu um aumento de 9% no faturamento e um incremento de 4% no total de usuários diários, mas os números estão bem abaixo do que era esperado pelos analistas, levando a uma drástica queda de 18% no valor das ações do passarinho em antecipação ao pregão desta quinta-feira (24).

Ao falar sobre seu relatório financeiro, o Twitter citou uma série de “ventos desfavoráveis” que resultaram em um faturamento de US$ 824 milhões, contra uma previsão de US$ 873,8 milhões feita pela Thomson Reuters. De acordo com a empresa, a queda sazonal nas receitas de publicidade entre julho e agosto foram muito maiores que o esperado, enquanto problemas em alguns produtos da companhia também afetaram o rendimento oriundo deles.

Acima de tudo, porém, especialistas apontam para as dificuldades de lidar com a proliferação de fake news e o discurso de ódio na plataforma, algo que aumentou os gastos do Twitter ao longo de todo o ano de 2019 sem que o mercado enxergue resultados efetivos. E quanto se envolve a utilização de políticos em violações ativas das políticas da companhia, sem que nada aconteça a eles, as coisas só ficam piores.

Ao anunciar os resultados, o CEO da rede social, Jack Dorsey, citou números para demonstrar os esforços da empresa nesse sentido. De acordo com ele, metade das mensagens ou perfis retirados do ar no terceiro trimestre foram fruto de análises automatizadas, sem que a interação humana, seja na moderação ou para denunciar, fosse necessária. Para o executivo, esse é um reflexo do aumento cada vez maior no desenvolvimento de tecnologia de inteligência artificial para lutar contra esse mal.

Com o aumento dos gastos, os lucros podem ter caído, mas os ganhos por ação, nem tanto. De acordo com os resultados financeiros, a valorização ao longo do trimestre foi de US$ 0,14 por cota, contra uma expectativa não atingida de US$ 0,20, colocada pelo mercado. Novamente, apontou a companhia, um resultado oriundo do investimento maior na própria estrutura e dos tais ventos desfavoráveis que mudaram as coisas no trimestre.

Por outro lado, aumentam as pressões externas para que o Twitter tome atitudes, principalmente, contra o presidente americano Donald Trump. No começo de outubro, a senadora Kamala Harris entregou à empresa uma carta aberta com diversos exemplos de violações das políticas da rede social praticadas por ele, principalmente no que toca a prática de bullying ou discurso ameaçados contra indivíduos, minorias, grupos ou interesses sociais.

Em alguns casos, apontou ela, os alvos eram delatores de seu processo de impeachment, enquanto líderes internacionais foram atacados em outros. Em resposta, o Twitter disse apenas que mensagens são retiradas do ar quando incluem “chamadas de ação” que possam ferir os direitos ou à integridade de grupos e pessoas, e isso vale também para políticos e celebridades.

Além disso, a empresa anunciou uma nova ferramenta de combate a tweets nocivos que vai impedir o compartilhamento, curtidas e respostas, bem como novas políticas relacionadas à proliferação de vídeos falsos que usem a técnica deepfake. Em ambos os casos, entretanto, os sistemas ainda não parecem ter entrado no ar ou, pelo menos, não foram utilizados ativamente pela plataforma.

Fonte: Twitter

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