Sucesso da Intel em data centers leva a crescimento de 8% no faturamento

Por Felipe Demartini | 24 de Janeiro de 2020 às 13h52
Sundry Photography / Shutterstock.com
Tudo sobre

Intel

Saiba tudo sobre Intel

Ver mais

A concorrência e os lançamentos poderosos das rivais do mercado não foram suficientes para segurar os números da Intel. No quarto trimestre de 2019, a fabricante apresentou receita total de US$ 20,2 bilhões, um crescimento de 8% no faturamento proporcionado em grande parte pelo amplo crescimento no setor de data centers, considerado pela companhia como uma de suas grandes rotas para o futuro.

No segmento, o aumento foi de 19% nos últimos três meses do ano, com o resultado combinado deixando a empresa bem acima das expectativas do mercado. A previsão de analistas era de uma receita de US$ 19,2 bilhões e de ganhos de US$ 1,25 por ação; no final do ano, a lucratividade das cotas foi de US$ 1,52, o que levou a companhia a uma valorização de 7% após a divulgação dos números na quinta-feira (23), com mais de 5% nas negociações pré-abertura do pregão desta sexta-feira (24).

Outro setor visto como bastante promissor é o de Internet das Coisas, que teve crescimento de 13% no quarto trimestre de 2019, chegando a um faturamento de US$ 920 milhões. Amplo aumento, também, no segmento de carros autônomos por meio da subsidiária Mobileye, com impressionantes 31% de crescimento no final do ano passado, mas com receita ainda considerada incipiente, na casa dos US$ 240 milhões.

O ramo de memórias foi outro que apresentou alta, com 10% de aumento, para US$ 1,2 bilhão, e um acompanhamento do modesto aumento de receita do setor global de PCs, que, para a Intel, se refletiu em uma melhora de 2% e US$ 10 bilhões em receitas. Houve queda de 17%, por outro lado, na área de Soluções Programáveis, um setor voltado para o equilíbrio entre desempenho e economia de energia e recursos para aplicações de machine learning e big data. Uma queda gerada, principalmente, pelos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Setor de data centers trouxe as maiores receitas da Intel no final de 2019, e é um dos campos promissores para este ano (Imagem: Divulgação/Intel)

Para o CEO Bob Swan, os números majoritariamente positivos são um reflexo da estratégia atual da Intel, que trabalha focada no longo prazo e olhando mais atentamente para os setores que, segundo ela, exigem mais demanda de processamento, armazenamento e transferência de dados. Enquanto o mercado de computadores pessoais continua patinando, o dinheiro parece estar no setor corporativo, justamente o grande destaque da fabricante no quarto trimestre do ano passado.

Esse movimento também serviu para segurar os números da empresa mesmo diante de rivais como a AMD, que também destaca cada vez mais o segmento empresarial e, inclusive, começou 2020 mandando um desafio para a Intel ao apresentar o que afirma ser o chip x86 mais rápido do mundo, o Threadripper de 64 núcleos. Enquanto isso, a Intel se mantém na tradição e, inclusive, na arquitetura de 10 nanômetros, com seu principal desafio sendo suprir a demanda de componentes velozes, algo que ela parece ter sido capaz de fazer no final das contas.

Outro reflexo da nova estratégia financeira da Intel apareceu nos números de pesquisa e desenvolvimento. A empresa disse ter gastado US$ 13,4 bilhões nessa frente, principalmente em iniciativas de inteligência artificial e performance, mas também viu seus gastos gerais caírem 27% em seu faturamento total, agradando bastante aos investidores.

Ao apresentar os números ao mercado, a norte-americana também aproveitou para elencar algumas áreas de destaque que devem continuar motivando sua atuação ao longo dos próximos anos. Nos data centers, por exemplo, o foco está nos serviços de computação na nuvem e inteligência artificial, com a aquisição da Habana Labs, uma empresa israelense que desenvolve chips para IA, sendo um dos principais motores para a continuidade desse crescimento.

A fabricante de semicondutores também destacou a performance dos setores de varejo e transporte no que toca o setor de Internet das Coisas e um ligeiro aumento na venda de desktops para o mercado corporativo, um fator que pode ter relação com o fim do ciclo de vida do Windows 7. A atualização de plataforma deve continuar levando a mais aquisições ao longo deste começo de ano, com a Intel aparecendo sincronizada com as expectativas de novos crescimentos, ainda que pequenos, no setor de PCs.

Para o primeiro trimestre de 2020, a expectativa é de mais ganhos e um faturamento na casa dos US$ 19 bilhões. Para o ano, a marca também acredita em aumento, com uma receita total de US$ 73,5 bilhões, o que representaria um recorde para ela e seria, novamente, uma comprovação de suas apostas em setores que considera promissores.

Fonte: Intel

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.