Em meio a polêmicas, Uber continua crescendo em todo o mundo

Por Redação | 24 de Agosto de 2017 às 09h33

Mesmo sem um CEO, cheia de problemas gerenciais e lutando para recuperar a confiança dos usuários, a Uber permanece em crescimento vertiginoso. De acordo com os dados do segundo trimestre de 2017, a companhia teve um aumento de 17% em seu faturamento, que chegou a US$ 8,7 bilhões, e viu o número total de corridas mais do que dobrar, com incremento de 150%.

Houve crescimento em todos os países em que a Uber atua, com exceção da China, de onde ela saiu após comprar uma parcela da Didi Chuxing, um serviço de táxi tradicional que também passou a oferecer plataforma com carros convencionais, sendo bastante reconhecida pelos cidadãos. Ainda assim, mesmo que este seja um mercado essencial, há muitos motivos para sorrir, principalmente quando se leva em conta os lucros de US$ 1,75 bilhão (contra US$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre e mais do que o dobro registrado há um ano) e uma queda de 9% nas perdas, o que representa um aumento das margens.

São números, também, que contrastam relatórios anteriores, que, se confirmados, podem ver a situação revertida bem em breve. Avaliada em US$ 68,5 bilhões, a Uber estaria perdendo valor na visão dos investidores por conta de suas polêmicas. Eles estariam vendendo ações e cotas da companhia a uma somatória de US$ 50 bilhões. Os resultados financeiros do segundo trimestre devem ajudar a alavancar tais negociações e afastar muitas das incertezas do momento.

É justamente a mensagem que a companhia deseja passar. Por mais que não seja uma empresa de capital aberto, a Uber tomou para si o hábito de divulgar seus resultados financeiros como qualquer outra companhia que negocia ações na Bolsa. O intuito é claro: mostrar que a empresa vai muito bem, obrigado, e se preparar para um eventual IPO, que se torna mais fácil, rápido e, acima de tudo, confiável quando há transparência.

Isso também se reflete em outro número que não costuma ser revelado pelas empresas, mas que soa como essencial para a Uber. Desde que o programa de gorjetas foi lançado, em junho, mais de US$ 50 milhões foram pagos aos motoristas em quantias extras, que não fazem parte das tarifas tradicionais de corridas.

Por outro lado, é importante lembrar que Travis Kalanick ainda estava no comando da empresa no segundo trimestre do ano. Ele deixou o posto de CEO no último dia 20 de junho, e, desde então, a companhia permanece sem um líder. A expectativa é que o novo presidente executivo seja anunciado no início de setembro, se tudo der certo – e é aí que as coisas parecem complicar.

Como se não bastasse a ausência do chefão, existem conflitos externos e internos. Dentro de casa, há tensões entre membros da diretoria quanto à escolha do CEO, com grandes investidores usando de sua força para barrar alguns nomes e privilegiar outros. Enquanto isso, do lado de fora, processos de passageiros agredidos ou atacados por motoristas se acumulam, enquanto acusações de racismo e machismo entre funcionários de escalão mais baixo também atraem imprensa negativa para a Uber e minam a confiança de seus usuários.

É algo, também, em que a empresa vem trabalhando, já tendo lançado iniciativas voltadas não apenas a passageiros, mas também motoristas. Entraram em vigor, por exemplo, um sistema de avaliações melhor, que permite mais comentários e indicações, a já citada possibilidade de dar gorjetas e indicadores de corridas longas para que os parceiros saibam quando estão prestes a pegar viagens que podem os levar para fora dos limites do município em que atuam.

Fonte: Axios