Zuckerberg diz que investigará a fundo as denúncias de manipulação em destaques

Por Patrícia Gnipper | 12.05.2016 às 23:53

Mark Zuckerberg se manifestou hoje no Facebook quanto à polêmica levantada por denúncias a respeito da intervenção humana na escolha dos "trending topics" da rede social. “Nós levamos essas denúncias muito a sério e estamos conduzindo uma investigação a fundo para garantir que nossas equipes mantenham a integridade do produto”, disse o CEO em seu perfil do Facebook nesta noite de quinta-feira (12), a respeito das recentes denúncias de que os destaques da rede social seriam manipulados por pessoas.

O executivo também disse em sua declaração que “não encontramos evidências de que essas denúncias sejam verdadeiras”. “Se encontrarmos algo que vá contra nossos princípios, vocês têm o meu compromisso de que tomaremos medidas adicionais para enfrentar isso”, também disse o co-fundador do serviço na publicação em seu perfil pessoal.

Entendendo o caso

Na segunda-feira (9), veio à tona através do Gizmodo uma denúncia feita por ex-funcionários do Facebook dizendo que a neutralidade da rede social estava comprometida, uma vez que sua seção de notícias populares nos Estados Unidos estaria sendo manipulada por pessoas, e não somente sendo elaborada com algoritmos.

De acordo com as informações divulgadas, notícias de interesse dos leitores conservadores eram suprimidas, revelando que o Facebook não estaria sendo imparcial na exibição desse conteúdo. Outros ex-colaboradores também afirmaram que eles eram instruídos a selecionar matérias, mesmo que a notícia em questão não fosse suficientemente popular a ponto de justificar sua inclusão nos destaques.

A rede social prontamente negou a veracidade das denúncias. Tom Stocky, vice-presidente de buscas do Facebook, disse não haver nenhuma evidência que esses atos realmente ocorreram, e explicou que os Trending Topics são obtidos em primeiro lugar por um algoritmo, que sonda as conversas que estão acontecendo na rede social e seleciona os links mais populares. De acordo com o executivo, a interferência humana entraria apenas em uma segunda fase, em que os sites selecionados pelo algoritmo seriam revistos em busca de informações falsas, ou verificados para garantir que se tratam de fontes originais.

No entanto, nesta quinta-feira (12) documentos vazados revelaram a interferência humana na seleção dos destaques no Facebook. O arquivo mostra um manual de conduta e regras gerais para o time editorial da rede social nos Estados Unidos, em que pôde se ver que eles trabalham em todas as etapas desse processo.

Os editores seriam capazes de “injetar” trending topics entre as listas dos mais populares, da mesma forma que poderiam barrar a inclusão de determinados temas na lista. Ainda segundo o vazamento, o uso de algoritmos como método principal para essa seleção teria sido abandonado em 2014, contrariando a declaração de Tom Stocky.

Os documentos também indicaram que o Facebook estaria privilegiando alguns veículos de comunicação em detrimento de outros, determinando os escolhidos como sendo “fontes seguras”. Contudo, todos esses podem ser considerados como “liberais”, politicamente falando – ou seja, entre os sites preferidos pela rede social, não haveria nenhum com direcionamento político conservador.

Justin Osofsky, vice-presidente de operações globais do Facebook, confirmou existência desse conjunto de regras, mas disse que ele serve apenas para garantir que o conteúdo veiculado seja legítimo e efetivamente importante, não tendo ligação com uma parcialidade quanto ao conteúdo político publicado.

A mensagem de Mark

Em seu Facebook, Zuckerberg se posicionou.

Em tradução livre, o CEO do Facebook disse o seguinte:

Eu quero compartilhar alguns pensamentos quanto à discussão sobre os Trending Topics.

O Facebook apoia dar voz a todos. Acreditamos que o mundo seja melhor quando pessoas com backgrounds diferentes e com ideias diferentes tenham juntos o poder de compartilhar seus pensamentos e experiências. É o que faz da rede social algo único. Nós somos uma comunidade global onde qualquer pessoa pode compartilhar qualquer coisa – desde uma bela foto de uma mãe com seu bebê até uma análise intelectual de acontecimentos políticos.

Para servir à nossa diversa comunidade, somos comprometidos a construir plataformas para todos os ideais. Os Trending Topics foram desenvolvidos para trazer à tona as conversas mais interessantes e populares no Facebook. Nós temos diretrizes rigorosas que não nos permitem priorizar um ponto de vista em detrimento do outro ou a supressão de perspectivas políticas.

Nessa semana, houve uma denúncia sugerindo que contratados do Facebook que trabalharam nos Trending Topics censuraram histórias com pontos de vista conservadores. Nós levamos essas denúncias muito a sério e estamos conduzindo uma investigação a fundo para garantir que nossas equipes mantenham a integridade do produto.

Nós não encontramos evidências de que essas denúncias sejam verdadeiras. Se encontrarmos algo que vá contra nossos princípios, vocês têm o meu compromisso de que tomaremos medidas adicionais para enfrentar isso.

Nas próximas semanas, eu estarei convidando líderes conservadores e pessoas do meio político para conversar comigo sobre essa questão e compartilhar seus pontos de vista. Eu quero ter uma conversa direta sobre o que o Facebook representa e sobre como nós podemos confiar que nossa plataforma seja sempre o mais aberta possível.

O motivo pelo qual eu me importo tanto com isso é que isso vai de encontro a tudo o que o Facebook é e tudo o que eu quero que ele seja. Toda ferramenta que construímos é desenvolvida para dar voz a mais pessoas e unir nossa comunidade global. Enquanto eu estiver liderando essa companhia, essa sempre será a nossa missão.