YouTube desabilita funções e remove vídeos após atentado na Nova Zelândia

Por Felipe Demartini | 18 de Março de 2019 às 14h14
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O YouTube disse ter removido uma quantidade “sem precedentes” de vídeos ao longo do último final de semana, após o atentado contra mesquitas na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia. A empresa não disse exatamente quantas replicações do conteúdo e materiais relacionados a ele foram retirados do ar, mas afirmou que funções de pesquisa e outros recursos da plataforma também foram desabilitados temporariamente em resposta aos ataques.

O primeiro dos dois tiroteios foi transmitido ao vivo por meio do Facebook e as imagens, claro, se espalharam pela internet. De acordo com o YouTube, cópias do material eram hospedadas no serviço a um ritmo de uma por segundo, o que gerou dificuldades para a moderação de conteúdo, principalmente, na diferenciação entre conteúdo jornalístico e reuploads completos dos assassinatos, assim como conteúdos voltados para gerar cliques ou realizar sensacionalismo em cima dos atentados.

Em entrevista ao jornal americano The Washington Post, o diretor de produtos da plataforma, Neal Mohan, disse que a equipe de moderação da plataforma esteve ativa desde os primeiros momentos após os atentados. Uma das primeiras atitudes foi separar para revisão manual os clipes jornalísticos, enquanto algoritmos eram calibrados para identificarem cópias do material automaticamente. Os moderadores humanos teriam trabalhado madrugada afora, aprovando ou retirando do ar dezenas de milhares de vídeos apenas nas primeiras 24 horas após os atentados.

O trabalho se tornou ainda mais difícil na medida em que reproduções das imagens dos ataques com alterações visuais, cortes e outros efeitos tentavam evadir os filtros automatizados do YouTube. Por outro lado, a empresa contava com o suporte da comunidade com denúncias e indicações de materiais impróprios. O trabalho, ainda assim, foi bastante criticado nas redes sociais, com a companhia parecendo não ser capaz de impedir a proliferação das cenas no serviço.

As declarações de Mohan também chamam a atenção por não conterem um número exato de remoções de vídeos, um dado que deve ser refletido em relatórios de transparência ainda a serem divulgados. Não é a mesma abordagem, por exemplo, do Facebook, que disse ter retirado nada menos do que 1,5 milhão de clipes do atentado, incluindo a publicação original do responsável por ele, apenas nas primeiras 24 horas após o tiroteio. O mesmo vale para o Reddit, que tirou do ar dois de seus subfóruns mais populares voltados ao compartilhamento de conteúdo violento.

Na Nova Zelândia, ainda, operadoras de telefonia iniciaram um bloqueio geral a sites de compartilhamento de vídeos e também outros fóruns que foram usados na divulgação e compartilhamento de imagens do atentado. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a postura das empresas de tecnologia e a dificuldade em lidar com essa proliferação de conteúdo colocou oo setor na mira de legisladores, com o senador Richard Blumenthal apontando o Facebook e outros como corresponsáveis pela escalada na violência e ódio online.

Os atentados na cidade de Christchurch atingiram duas mesquitas no início da tarde de sexta-feira (15), no horário local. 50 pessoas foram mortas e outras 50 acabaram feridas durante os disparos realizados por um homem de 28 anos, que já foi preso pela polícia e está sendo indiciado. O massacre foi o mais violento da história da Nova Zelândia e levou a outras atitudes por parte do governo, que pretende reformar leis relacionadas ao porte de armas.

A dificuldade em lidar com o compartilhamento de imagens do atentado na Nova Zelândia é apenas mais um capítulo na recente e tensa história do YouTube em seus esforços relacionados à moderação de conteúdo. Nas últimas semanas, a empresa também vem sendo criticada pela presença de clipes impróprios em meio a vídeos infantis, acessados, inclusive, por meio de seu aplicativo voltado exclusivamente aos pequenos e que deveria, na teoria, filtrar esse tipo de publicação. Uma das atitudes tomadas pela companhia também desagradou a criadores de conteúdo, já que o serviço vem desabilitando comentários de canais e desmonetizando vídeos, mesmo que eles tenham cunho informativo ou jornalístico.

Fonte: The Washington Post, Bleeping Computer

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