“Vazamento” de resultados financeiros custou US$ 8 bilhões ao Twitter

Por Redação | 30 de Abril de 2015 às 12h29

O “vazamento” de um relatório financeiro negativo pode ter custado até US$ 8 bilhões ao Twiter. Pelo menos, essa é a estimativa de valor da empresa após a revelação de números bem abaixo do esperado nesta semana, quando documentos relacionados ao primeiro trimestre de 2015 apareceram online antes da hora, levando as ações da rede social a uma baixa histórica.

Na verdade, a palavra vazamento aparece entre aspas por não ter o significado com o qual todos estamos acostumados. Os resultados do Twitter foram divulgadas antes da hora, sim, mas não devido a uma brecha na segurança da empresa ou uma informação privilegiada passada à imprensa por uma fonte anônima. O culpado, se é que podemos falar desta maneira, foi um sistema automatizado que busca informações financeiras e as disponibiliza de forma agregada para seus clientes.

Estamos falando da Selerity, uma startup que opera esse tipo de plataforma. Rapidamente, quando ainda se começava a especular sobre uma possível brecha, a empresa foi rápida em informar, pela própria rede social, que a revelação precoce dos dados do Twitter não era um bug nem um hack. As informações, na verdade, apareceram nas listagens da Nasdaq antes da hora e, sendo assim, acabaram capturadas pelo robô.

Originalmente, a ideia da rede social era divulgar seus relatórios financeiros negativos naquela terça-feira, mas após o fim das negociações na Bolsa de Valores. Isso daria tempo para que os investidores lessem as informações, entendessem o que estava acontecendo e, no dia seguinte, negociassem com mais calma, evitando justamente uma queda brusca e uma fuga de investidores como a que foi vista nesta semana.

De acordo com a Nasdaq, o vazamento foi fruto de um erro operacional, que acabou disponibilizando as informações online por cerca de 45 segundos, tempo suficiente para o sistema da Selerity capturá-las. Na história recente, essa é a segunda vez que a bolsa digital esteve envolvida em um caso desse tipo, já que no final de 2014 também publicou, sem querer, resultados financeiros do banco JP Morgan antes da hora.

Descendo rapidamente

Inicialmente, quando os dados foram publicados, houve queda de 6% nas ações do Twitter, o que levou a uma suspensão momentânea na negociação das cotas. Quando elas retornaram ao pregão, a baixa foi ainda maior e chegou a 19%, antes de fechar em queda de 18% no fim do dia. A desvalorização brusca levou à redução de US$ 8 bilhões no valor de mercado da rede social, que já há algum tempo se encontra sob o olhar vigilante de acionistas pelo que muitos consideram ter sido uma abertura de capital muito precoce.

O CEO, Dick Costollo, exibiu decepção com os resultados, afirmando saber que eles estão abaixo do esperado pelo mercado. Segundo ele, os produtos do Twitter que trarão melhorias no panorama financeiro ainda se encontram em seus estágios iniciais, mas vêm tendo bom desempenho, com resultados que devem ser exibidos em breve.

Uma prova disso, por exemplo, é o crescimento no faturamento da rede de microblogs, que chegou a US$ 1,4 bilhão e teve alta de 74%. Por outro lado, as perdas totais da rede social já acumulam US$ 1,57 bilhão devido a investimentos e a falta de um modelo de monetização adequado, que apenas agora parece estar começando a andar. No final das contas, o Twitter acabou revisando sua projeção para 2015, prevendo um faturamento de cerca de US$ 2,1 bilhões e ganhos mais baixos para os investidores, de US$ 0,38 por ação.

Fonte: BBC

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