Um ano depois, Periscope faz sucesso e dá um novo gás ao Twitter

Por Douglas Ciriaco | 28.03.2016 às 18:00
photo_camera Divulgação/Periscope

O Twitter enfrenta alguns problemas e isso não é segredo para ninguém. Contudo, a rede social dos 140 caracteres fez uma jogada muito inteligente em 2015 e adquiriu o Periscope, um serviço que permite a seus usuários transmitirem vídeos ao vivo a partir de smartphones e tablets. A transmissão inicia em instantes e pode ser vista a partir de Android, iOS, Twitter, Apple TV ou qualquer computador conectado à internet.

Lançado em 26 de março de 2015, o Periscope começa a dar passos mais firmes no sentido de se tornar um produto tão eficaz e popular quanto o próprio Twitter. Para se ter uma ideia, entre março e dezembro do ano passado, foram realizadas cerca de 100 milhões de transmissões; porém, apenas a partir de janeiro deste ano, quando a ferramenta se tornou de fato integrada ao Twitter (antes ela funcionava apenas externamente), já foram realizadas outras 100 milhões de transmissões, demonstrando um potencial bem interessante para a plataforma.

Luta com rivais e sucesso reconhecido

Criado pela dupla Kayvon Beykpour e Joe Bernstein em fevereiro de 2014, o Periscope foi adquirido pelo Twitter em março do ano seguinte, antes mesmo de ser lançado publicamente. Apesar de valores não terem sido divulgados, acredita-se que a companhia do pássaro azul desembolsou entre US$ 75 e US$ 100 milhões para levar o Persicope e lançá-lo mais de um ano após o negócio.

Cerca de um mês antes de o Periscope estrear, chegava à web o Meerkat, um aplicativo com proposta basicamente igual e que logo ganhou uma atenção significativa da internet. Porém, a ascensão do rival fez com que o Meerkat começasse a definhar, problema agravado pelo lançamento de um recurso semelhante dentro do Facebook (o Facebook Live), levando a rumores de que a desenvolvedora Life On Air pode abandonar o setor de transmissões ao vivo.

Periscope

Periscope ganhou várias novidades no último ano. (Foto: Divulgação/Periscope)

E se o sucesso do Periscope prejudica os adversários, sem dúvida nenhum colabora para dar um respiro e um potencial de futuro ainda melhor para o Twitter. E este sucesso é corroborado pelos números: segundo o site de estatísticas DMR, em dezembro de 2015 o serviço possuía 10 milhões de usuários cadastrados e 2 milhões deles estavam ativos todos os dias. Tomando por base o fato de que a quantidade de transmissões simplesmente dobrou apenas de janeiro até agora, é razoável acreditar que o número de usuários também cresceu nos três primeiros meses de 2016.

Além disso, ao longo deste primeiro ano, o tempo gasto por todos os usuários que viram as transmissões ao vivo é o equivalente a 110 anos — e este dado só leva em conta as visualizações ao vivo feitas por meio do app para Android e iOS, descontando quem assiste aos vídeos gravados ou então vê tudo ao vivo pelo site, pelo Twitter ou por outros dispositivos. Enfim, apesar de novato, o Periscope vem fazendo barulho.

E o futuro?

Sem dúvida nenhuma, o Periscope tem um lugar especial no futuro do Twitter, tanto é que um dos fundadores do serviço e atual presidente da divisão responsável pelo app Kayvon Beykpour foi promovido recentemente e se tornou parte da equipe executiva do Twitter. Este talvez seja o indício mais forte de que a companhia está levando cada vez mais a sério este serviço que já impressiona, apesar de ainda estar engatinhando.

É importante destacar o quanto o perfil de um serviço de exibição de vídeo mais pessoal e ao vivo como o Periscope tem a ver com o Twitter. Esta rede social é famosa por instigar justamente o compartilhamento de frações do mundo com lista de assuntos mais populares, resumo de notícias, cobertura de eventos, "narrações" de jogos de futebol e de outras partidas esportivas, entre outros, tudo em tempo real. Com o Periscope, os assuntos do momento podem não apenas ser descritos e fotografados, mas também transmitidos ao vivo pela rede social, com imagem e som.

Periscope

Transmissões ao vivo devem ganhar cada vez mais destaque nas redes sociais. (Foto: Divulgação/Periscope)

Somando todas estas possibilidades com fatos reais, como o suporte para transmissões via Twitter, para AppleTV e também para vídeos feitos a partir de uma câmera GoPro, o horizonte do Periscope se abre de forma ampla. Cada vez mais, o serviço ganha novos recursos, torna-se mais robusto e formata a sua capacidade de reunir pessoas, adaptando-se perfeitamente às propostas do Twitter enquanto rede social.

O futuro pode parecer complicado, especialmente porque, se por um lado o Merkaat está morrendo, por outro, o Facebook Live já está aí e o YouTube Connect, serviço do Google rival ao Periscope, deve ser lançado em breve. De qualquer maneira, o Periscope parece ser a ferramenta mais pronta no momento para quem quer fazer transmissões ao vivo, seja você uma celebridade, um jogador de futebol, um jornalista ou apenas um anônimo querendo mostrar algo.