Twitter perde executivos e mercado teme estagnação

Por Redação | 29.07.2015 às 13:04

Não vai ser uma semana muito fácil para o Twitter. Mesmo contrariando o mercado e apresentando resultados financeiros de acordo com as próprias expectativas e também as dos investidores, a rede social passa por maus lençóis enquanto perde dois de seus principais executivos. Tudo ainda ocorre ao mesmo tempo em que passa por uma repentina transição de CEOs. A rede enfrenta um severo medo que assola novos compradores, que temem uma possível estagnação da companhia nos próximos trimestres.

Tudo estava bem no começo da conferência, e os resultados de acordo com o esperado fizeram com que os papeis do Twitter tivessem alta de 6%. Porém, tudo mudou quando o diretor financeiro Anthony Noto afirmou que os investidores não deveriam esperar nenhum tipo de crescimento significativo nos números da rede social por um período “significativo”. A declaração, sozinha, foi responsável por transformar o crescimento em uma baixa de 12% nos valores das cotas da companhia.

A coisa só pareceu piorar quando, pouco antes da apresentação, dois executivos de alto patamar na plataforma também revelaram que estão deixando a empresa. Todd Jackson, diretor de produtos, e Christian Oestline, vice-presidente de gerenciamento de produtos, estão deixando o Twitter para assumirem posições semelhantes no Dropbox e no YouTube, respectivamente. Eles estavam na empresa há cerca de dois anos e vinham participando ativamente no desenvolvimento de novas funções para atrair usuários.

A dança das cadeiras entre executivos de altos cargos é uma prática comum no mercado, mas para o Twitter, serviu para trazer ainda mais incerteza, pois a companhia já se encontra em um momento de transição. No começo de julho, o CEO Dick Costolo anunciou que estava deixando o cargo e vem sendo substituído interinamente por Jack Dorsey, que tem grandes chances de permanecer na posição. As mudanças, porém, acontecem em um momento um tanto quanto complicado.

Já há algum tempo se fala sobre uma abertura de capital que teria sido feita pelo Twitter de forma prematura. A rede social, apesar de contar com milhões de usuários, ainda não tem ferramentas efetivas de monetização e, pior, tem encontrado dificuldade em aumentar de forma exponencial seu número de usuários. Nos EUA, por exemplo, o total é de 66 milhões de pessoas utilizando o site, o mesmo número registrado no primeiro trimestre deste ano e um claro sinal de estagnação.

Para mostrar um certo crescimento, o Twitter passou a contar também em seus números aqueles que utilizam a rede social por meio de feature phones, enviando SMSs para um número específico para que as mensagens sejam publicadas. Ao todo, são 316 milhões de usuários ativos todos os meses, mas sem tal grupo, o total cai para 304 milhões, um aumento de apenas 2 milhões em relação aos primeiros três meses deste ano.

twitter

A receita, porém, teve um crescimento de 64%, o que pode servir como um certo acalento para os investidores. A estimativa inicial era de US$ 481,1 milhões, e o Twitter acabou obtendo US$ 502 milhões, com previsão de aumento ainda maior para o terceiro trimestre de 2014. Não é uma alta gigantesca, claro, mas a empresa espera arrecadar US$ 560 milhões no período, enquanto analistas aguardam por resultados na faixa dos US$ 555,8 milhões.

Podem ser aumentos significativos, mas também sinalizam o problema. Aparentemente, a base atual de usuários é capaz de manter o Twitter funcionando em seu estado atual, mas existem limites até onde esse grupo pode ser utilizado para gerar receitas. Boa parte da manutenção destes números passa pela incorporação de novos recursos que possam atrair mais gente para a rede. A companhia parece estar se saindo bem no primeiro, implementando novas funções de tempos em tempos, mas não tem resultado tão positivo assim no segundo.

A coisa fica bastante grave principalmente quando se faz a comparação com o Facebook, visto como o principal concorrente do Twitter. A rede social, de acordo com os números mais recentes, tem cerca de 1,4 bilhão de usuários, e contando, além de faturamento cada vez mais em alta. Não existem sinais de crise por lá, e no ninho do passarinho, aparentemente, também não. Mas muita gente acredita que ela deve começar a mostrar suas garras em breve.

Trabalhando para seguir em frente

Além de apresentar seus resultados, o Twitter disse ainda o que vai fazer para tentar angariar novos usuários e manter ativos os que já estão por lá. E um dos segredos aqui é o foco naquilo que a empresa já sabe que funciona. Novas ferramentas voltadas para o acompanhamento de eventos ao vivo devem ser lançadas nos próximos meses, para facilitar a busca por conteúdo e a utilização como uma ferramenta informativa.

Enquanto isso, também estão sendo feitos esforços para aumentar a monetização da plataforma e torná-la mais acessível para usuários novatos, que podem se perder em meio ao mundo de conteúdo postado rapidamente. Um exemplo disso é a nova página inicial, que desde o começo do mês, exibe, por enquanto apenas nos Estados Unidos, os principais tweets de contas renomadas, trazendo novidades e, ao mesmo tempo, sugestões de quem seguir com base em diferentes tópicos de interesse.

Por fim, uma parceria com o Google vai levar as mensagens postadas pelos usuários da rede social para o mecanismo de busca. Como para muitos, inclusive o próprio Twitter, a rede social é vista como uma fonte de informação, por que não levar isso a um novo nível e permitir que as postagens sejam pesquisadas e localizadas mesmo por quem não faz parte dela?

As novidades fizeram pouco para conter as incertezas. Agora, cabe ao Twitter garantir que a ideia geral do mercado está errada e que, como já vem fazendo com certo sucesso há algum tempo, consegue coexistir com suas particularidades com outras redes sociais gigantescas ou em franca expansão.

Fontes: Twitter, Business Insider