Twitter bloqueia utilização de software de análise pelo governo

Por Redação | 09.05.2016 às 09:19

Em mais um capítulo da novela cada vez mais tensa entre empresas de tecnologia e o governo dos Estados Unidos, o Twitter teria bloqueado permanentemente o uso de softwares de análise de mensagens por órgãos de inteligência. O banimento, mais especificamente, relaciona-se ao Dataminr, ferramenta capaz de fazer uma varredura em tempo real do que está sendo publicado no serviço.

A mudança não foi anunciada oficialmente, mas teria caído de forma extremamente negativa entre oficiais de inteligência e agências governamentais – foi através delas que a notícia vazou para a imprensa. O serviço era usado pelo governo para reconhecer situações de interesse à segurança nacional, como aquelas associadas ao crime organizado, terrorismo e protestos políticos, além de outros eventos que possam ser de interesse para os órgãos de segurança.

Do outro lado, o Twitter teria argumentado que a ideia é impedir que o governo tenha algum tipo de privilégio na obtenção de informação e análise de dados em tempo real. O Dataminr é a única ferramenta a ter acesso, em tempo real, a todas as mensagens publicadas na rede social – um acesso garantido pela parcela de 5% que a companhia do passarinho possui na empresa. Além dessa abertura, a companhia também é autorizada a vender as análises baseadas na linha do tempo para clientes em potencial.

Entretanto, as relações entre o Dataminr e as autoridades nunca foram bem vistas pelo Twitter, que, mais de uma vez, teria pedido aos responsáveis para que parassem de trabalhar com agências de segurança. Como isso não foi atendido, a rede social optou pelo caminho do bloqueio, que afeta apenas órgãos de segurança e não os outros clientes da companhia, como serviços financeiros e agências de notícias.

Em comunicado oficial, o Twitter disse que não tem problema nenhum em saber que suas mensagens estão sendo analisadas por órgãos desse tipo e que as informações publicadas por seus usuários são públicas, estando acessíveis a qualquer um, inclusive o governo. Basicamente, o que a empresa afirma é que o monitoramento é possível, mas que as agências não terão nenhum tipo de regalia na hora de obter acesso a tais dados.

O Dataminr funciona a partir do cruzamento de diferentes informações contidas nas mensagens publicadas, desde palavras-chave até localização geográfica, data, hora e dados externos, a partir de serviços de análise de mercado e notícias. Com a união disso tudo, o sistema é capaz de reconhecer eventos que possam ser de interesse dos clientes e emitir alertas sobre o assunto, de forma que decisões e movimentos possam ser realizados.

No caso das agências de segurança em si, a plataforma teria sido a responsável por alertar as autoridades norte-americanas sobre os atentados de novembro do ano passado, em Paris, minutos depois de sua execução. Isso levou o governo a elogiar publicamente o Dataminr, uma declaração que encheu a empresa de prestígio, mas, ao mesmo tempo, parece não ter caído muito bem para a diretoria do Twitter, motivando a decisão tomada agora.

Fonte: The Wall Street Journal