Twittaço de CEOs da tecnologia chama atenção para violência contra imigrantes

Por Ares Saturno | 20 de Junho de 2018 às 07h40

Não foi só o CEO da Apple, Tim Cook, que foi a público defender seu desgosto com as políticas firmadas pela administração Trump quanto as famílias de refugiados nos EUA. Após a Microsoft ser amplamente criticada por celebrar com orgulho a parceria com a agência de Imigração e Alfândega do país, acusada de tratar de forma desumana as famílias, nesta terça-feira (19) diversos executivos das gigantes da tecnologia se posicionaram avessos às medidas adotadas.

Confira, abaixo, o parecer das principais empresas tech:

Apple

Após o site ProPublica vazar áudios horripilantes de crianças imigrantes abrigadas longe de seus pais e familiares num país estranho a elas, Tim Cook disse ao The Irish Times:

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"É de partir o coração ver as imagens e ouvir os sons das crianças. Crianças são as pessoas mais vulneráveis em qualquer sociedade. Penso que o que está acontecendo é desumano e precisa parar. Nós sempre sentimos que todos deveriam ser tratados com dignidade e respeito. Nesse caso, não é o que está acontecendo".

Facebook

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, publicou que "organizações como a Texas Civil Rights Project e RAICES estão fazendo um grande trabalho ajudando as famílias nas fronteiras dos EUA a conseguir serviços de aconselhamento e comunicação, além de documentar o que ocorre para garantir que essas histórias se espalhem. Eu fiz doações a eles e encorajo você a fazer o mesmo. Precisamos parar essas políticas agora mesmo".

Quem também recomendou que as pessoas contribuam com o serviço que as organizações de apoio aos imigrantes estão realizando foi a COO do Facebook, Sheryl Sandberg:

"Escutar o choro das crianças separadas de seus pais é insuportável. A prática da separação das famílias em nossas fronteiras precisa acabar agora mesmo. Não podemos ignorar. Como tratamos os mais vulneráveis diz muito sobre quem somos. Por favor, considerem apoiar organizações como a RAICES e a Texas Civil Rights Project, que estão fazendo um ótimo trabalho em ajudar essas famílias".

Microsoft

Após ser duramente criticada nas redes sociais ao falar com orgulho da parceria firmada com a agência de Imigração e Alfândega dos EUA, responsável pelas violências cometidas com as famílias de refugiados, um porta-voz da Microsoft veio a público esclarecer o posicionamento da empresa. Na publicação, após explicar a natureza do contrato com a agência governamental, a companhia se posicionou contra as ações cruéis praticadas pela administração Trump, reforçando o desagrado com a separação das crianças de seus familiares.

"Como empresa, a Microsoft está consternada com a separação forçada de crianças de suas famílias na fronteira. A unificação familiar tem sido um princípio fundamental das políticas e da legislação estadunidenses desde o final da Segunda Guerra Mundial. Como uma empresa, a Microsoft trabalha há mais de 20 anos para combinar tecnologia com o Estado de Direito a fim de garantir que crianças refugiadas e imigrantes possam permanecer com seus familiares. Precisamos continuar a construir essa tradição nobre, em vez de mudar de rumo agora. Instamos a administração a mudar sua política e o Congresso a aprovar uma legislação que garanta que as crianças não sejam mais separadas de suas famílias".

Google

Sundar Pichai, CEO da Google, tweetou no final da tarde desta terça-feira (19) que "As histórias e imagens das famílias sendo separadas nas fronteiras são de embrulhar o estômago". Ele também disse que os cidadãos devem pressionar o governo por ações mais adequadas e humanas.

Airbnb

Brian Chesky, Joe Gebbia, Nathan Blecharczyk, os cofundadores da Airbnb, também se pronunciaram sobre o caso. "Arrancar crianças dos braços de seus pais é impiedoso, cruel, imoral e contrário aos valores estadunideneses de pertencimento. O governo dos EUA precisa parar essa injustiça e reunir essas famílias. Nós somos um país melhor que isso", afirmaram por meio de uma publicação no Twitter.

Twitter

Jack Dorsey, CEO do Twitter, fez uma série de publicações curtas no microblog para dar visibilidade à hashtag #KeepFamiliesTogether (em tradução livre, "mantenham as famílias unidas") e a campanhas associadas à causa. Em um dos tweets, Dorsey pergunta aos internautas quais são as formas mais impactantes de ajudar os refugiados e sugeriu que doações fossem feitas à RAICES.

Uber

Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, escreveu em uma publicação no Twitter, veiculada na tarde desta terça-feira (19), que "como pai, cidadão e imigrante, as histórias vindas da fronteira quebram meu coração. Famílias são a estrutura da sociedade. Uma política que as separa ao invés de construir é imoral e errônea".

Yelp

Jeremy Stoppelman, CEO da Yelp, também tweetou pedindo doações às instituições de apoio aos refugiados e clamando a presença dos executivos tech numa passeata marcada para o próximo dia 30 de junho:

Tesla / SpaceX

Elon Musk mostrou sua preocupação com as famílias refugiadas em um tweet direto que dizia apenas "Eu espero que as crianças estejam bem". Os internautas acharam que a seriedade da questão merecia uma declaração mais pormenorizada do CEO, que respondeu afirmando que é um dos maiores doadores de fundos para a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU). Ele também disse estar disponível para ajudar como puder a essas crianças separadas de suas famílias.

A própria ACLU citou Musk em agradecimento pelas doações, ao que o CEO da Tesla respondeu "Obrigado a vocês por ajudarem aqueles que mais precisam".

Amazon

Embora a Amazon não tenha se declarado oficialmente sobre a situação das famílias de refugiados nas fronteiras, o CEO Jeff Bezos twittou, ainda no domingo (17), fotos pessoais de seu pai, contando que ele era cubano e chegou aos EUA com 16 anos de idade sem saber se comunicar em inglês.

Lyft

Logan Green, CEO da Lyft, e John Zimmer, cofundador, divulgaram no Twitter seus apoios às famílias de refugiados nas fronteiras e pediu doações para as instituições que as ajudam.

eBay

Devin Wenig, do eBay, teve um posicionamento mais polêmico. Num tweet, o CEO apoiou que se mantivessem as políticas de reforço de fronteiras para barrar a chegada de novos imigrantes, mas em seguida deixou claro que separar as famílias que já estão em solo estadunidense vai contra a moral e a ética da nação. Ele cobrou correção das ações.

Postmates

Bastian Lehmann, CEO da Postmates, twittou a hashtag #KeepFamiliesTogether e chamou atenção para uma petição online da ACLU:

BuzzFeed

Jonah Peretti, CEO do BuzzFeed, disse que as histórias mostradas quebraram seu coração. Ele conta que sua avó era, também, uma refugiada em solo estadunidense e que chegou a ser brevemente separada de sua família ao chegar ao país da liberdade, o que a encheu de horror por não saber se veria seus familiares novamente. Segundo Peretti, o dano emocional que a experiência causou em sua avó era tão intenso que ela parecia machucada com a experiência mesmo após 60 anos.

Fonte: BuzzFeed

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