Trump é criticado por tweet em que fala sobre guerra com a Coreia do Norte

Por Redação | 14 de Agosto de 2017 às 12h29

Não foi um final de semana fácil para o noticiário internacional, com protestos de grupos de extrema direita nos Estados Unidos e tensões agravadas na Ásia, diante da ameaça da Coreia do Norte. E, pelo Twitter, o presidente americano Donald Trump fez questão de emitir mais uma de suas bravatas, afirmando que “as soluções militares do país estão prontas e armadas”.

Na mensagem, publicada em sua conta pessoal, ele afirma esperar que Kim Jong Un encontre outro caminho, que não o bélico, mas diz estar preparado caso a Coreia do Norte haja de maneira “imprudente”. No texto curto, não existem menções a guerra nuclear, mas, para analistas, essa citação ficou óbvia.

Foi justamente por isso que muitos, principalmente consultores do setor militar, criticaram a mensagem de Trump. Não bastou apenas o fato de ele ter adotado uma postura branda em relação aos protestos nazistas que aconteceram em pleno solo americano, enquanto emitia bravatas à Coreia do Norte. A reação negativa também se relaciona ao fato de que tais mensagens podem agravar ainda mais as tensões.

Essa ideia começa, por exemplo, do fato de que nenhum presidente americano, até hoje, emitiu ameaças desse tipo publicamente, com todos os anteriores preferindo uma abordagem diplomática e nos bastidores para evitar conflitos. Além disso, veio a tona um conceito chamado de “Teoria do louco”, que fazia parte da política externa exercida por Richard Nixon, em plena Guerra Fria, como uma forma de evitar ataques justamente pela bravata.

A ideia é ameaçar o oponente de que ele será atacado primeiro, de forma a evitar que ele faça o mesmo, mantendo a tensão em alta, mas a possibilidade de um golpe efetivo em baixa. Para os analistas, essa hipótese não funciona com a Coreia do Norte por um simples fato: Jong Un sabe que, se sofrer um golpe primeiro, está acabado. Sendo assim, as bravatas de Trump podem, efetivamente, levá-lo a um caminho militar.

E, nesse caso, quem está na mira é o Japão e a Coreia do Sul, outro aspecto pelo qual o presidente americano vem sendo criticado. Se os Estados Unidos estão prontos para a guerra, então porque não existe uma ordem de evacuação dos cidadãos americanos nos territórios que podem ser alvo de um ataque? Para os analistas, mais uma mostra da irresponsabilidade do comandante-em-chefe.

A coisa muda de figura quando se leva em conta, ainda, a posição chinesa. O país já afirmou que vai se manter neutro enquanto as tensões continuarem, mas, no jornal estatal, o governo disse com todas as letras: “se os EUA ou a Coreia do Sul iniciarem ataques ou tentarem derrubar o regime da Coreia do Norte, ou alterarem o clima político na região, a China os impedirá. [O país] responderá com mão firme e os fará entender que tais ações prejudicam os interesses [locais].”

Nesta segunda-feira (14), Donald Trump está em Washington para tratar de assuntos militares e relacionados ao comércio exterior – ambas questões, provavelmente, ligadas ao que está acontecendo na Ásia. A Coreia do Norte não respondeu publicamente às mensagens publicadas pelo presidente americano durante o final de semana.

Fonte: GizmodoWar on the Rocks