Sugestão de amigos do Facebook causa problemas para psiquiatra e pacientes

Por Redação | 30.08.2016 às 19:34
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Um caso ocorrido nos Estados Unidos é uma amostra de até que ponto vai a coleta de informações do Facebook em dispositivos – chegando ao limite de causar problemas profissionais para uma psiquiatra americana. Ela alega que a rede social, agora, exibe alguns de seus pacientes como amigos para serem adicionados na plataforma, e faz o mesmo entre os clientes, mesmo que eles nunca tenham se visto.

A profissional, que se identificou apenas como Lisa, conta que não faz uso constante da rede social, utilizando-a apenas para manifestar presença em eventos. Ela diz não ter cadastrado seu e-mail ou número telefônico profissional na rede social, mas ainda assim, começou a ver pacientes sendo indicados como possíveis amigos a serem adicionados.

Ela percebeu que o mesmo estava acontecendo com eles quando um de seus clientes, um praticante de snowboard na casa dos 30 anos – ou seja, cujos amigos também seriam da mesma faixa etária – comentou sobre a mesma coisa. Lisa tem muitos pacientes idosos, e eles começaram a aparecer como sugestões para o atleta. Outra pessoa atendida pela psiquiatra confirmou que o Facebook, de alguma forma, sabia da relação formada ali, pois reconheceu no elevador do prédio onde fica o consultório da profissional uma das pessoas que eram indicadas pela rede social.

Em prol de seu ideal de conectar pessoas e estabelecer relações, no fim das contas, o Facebook estaria sendo um acessório na quebra do código de ética de Lisa, que como psiquiatra, tem a responsabilidade de não revelar relações ou o teor das conversas que tem com os pacientes. Muitos, afirmam ela, têm problemas psicológicos, doenças graves, passam por dificuldades pessoais ou financeiras ou já tentaram suicídio.

Pior ainda, todos moram em uma cidade pequena e, de acordo com a profissional, o que o Facebook faz é revelar a todos que aquelas pessoas estão passando por tratamento psiquiátrico. Uma grande quebra de privacidade, na visão da profissional, que diz não ter adicionado nenhum de seus pacientes.

A resposta para tudo isso estaria na obtenção de acesso aos contatos telefônicos, solicitada pelo Facebook para uso da rede social no celular. Dessa forma, a rede social pode ter detectado a presença do número de Lisa nas agendas dos pacientes e, sendo assim, concluído que eles se conhecem e podem ser amigos. Outra alternativa seria o rastreamento por localização, uma vez que ela confirmou ter logado na rede social em seu computador do trabalho. Essa, entretanto, é uma alternativa que a empresa afirma não usar, tendo apenas feito isso em testes e somente obtendo a cidade na qual os usuários estariam.

Em resposta, o Facebook também não soube dizer exatamente por que a relação entre essas pessoas foi firmada. De acordo com o porta-voz da rede social, não existem dados o suficiente no relato de Lisa para definir exatamente qual foi a linha traçada pelo algoritmo do serviço, uma vez que o sistema de sugestão funciona a partir de diferentes fatores.

Uma sugestão, feita inclusive por uma associação de psiquiatras dos Estados Unidos, é que os pacientes evitem levar seus celulares para consultas ou que não utilizem o Facebook nos arredores dos consultórios, justamente para manter o tratamento em sigilo até mesmo do sistema. Entretanto, isso não impede o acesso aos contatos, e mais casos como esse podem acontecer por aí, com resultados ainda mais danosos.

Fonte: Business Insider