Sem bloqueio de usuários, Spotify abre caminho para assédio na plataforma

Por Wagner Wakka | 19 de Julho de 2018 às 17h55
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Um mecanismo bastante simples e que segue em falta no Spotify tem criado problemas para alguns usuários. O serviço ainda não permite que as pessoas bloqueiem seus seguidores. A princípio, isso pode ser uma questão menor dentro da rede social de música, mas tem aberto brecha para casos de assédio.

De acordo com levantamento do BuzzFeed, algumas usuárias estão relatando casos em que foram perseguidas no programa. Uma delas é Megan, uma menina de 26 anos que foi vítima de assédio pelo ex. Segundo relato dela, o rapaz “acompanhava o que ela estava ouvindo e ficava mandando e-mails sobre isso", convencido de que o que ela estava escutando era prova de que a garota estivesse querendo voltar com ele.

Megan ainda conta que as mensagens eram “ameaçadoras” e mostravam o desespero de seu ex-namorado em monitorar todos os passos dela. Em 2017, a rede social anunciou que estava tirando a ferramenta de mensagens inbox do ar, por motivos de “falta de engajamento”. Embora tenha colaborado para deixar o programa menos aberto a outros usuários, não adicionou o mecanismos de bloqueio.

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Atualmente, há apenas uma opção chamada “sessão particular” em que as atividades no serviço são escondidas de todos os usuários. Contudo, as pessoas querem continuar decidindo para quem mostrar suas ações.

Via Twitter, uma usuária chamada Alina Rose apresenta todo o trabalho para excluir alguém. “Eu tive de deletar e refazer algumas playlists antigas porque um cara continuava seguindo minhas playlists e minhas músicas, e isso é apavorante”, ela conta.

Outra, de nome Summer Anne, relatou uma perseguição na plataforma: “Há alguns anos, um cara estava tendo uma ilusão de que eu estava mandando mensagens codificadas para ele pelas redes sociais. Eu consegui bloqueá-lo em todas elas, menos no Spotify, em que ele frequentemente me mandava músicas e e-mails sobre meus horários baseado no que eu estava ouvindo”, ela conta.

De acordo com contato do próprio BuzzFeed, o Spotify ainda não tem nenhuma programação para adicionar a ferramenta à plataforma. Contudo, em um post no último dia 9, a empresa informou que mudou o status do assunto para "boa ideia”.

“Nós definitivamente achamos que esta é uma ideia importante, entretanto isso não está atualmente em nosso cronograma. Nossos times por trás de opções sociais estão cientes do que vocês têm trazido em seus feedbacks aqui e estamos trabalhando junto com eles para levar adiante todos os comentários e preocupações”.

O post inicial do fórum endereçado a um usuário chamado Liam é de 2013. A proposta ganhou esse status após massiva votação de usuários.

Polêmicas

Esse não é o primeiro problema do Spotify com questões relacionadas às suas políticas. Em maio, o Spotify entrou em uma polêmica sobre as músicas do rapper R. Kelly. O músico foi acusado de estupro e abuso sexual de uma mulher, desde a época em que tinha 14 anos, o que configura ainda pedofilia. O caso está sendo investigado.

Além de R. Kelly, o Spotify também removeu de suas playlists algumas músicas de outros rappers que já foram acusados de conduta abusiva, como XXXtentacion e 6ix9ine.

Semanas depois, contudo, a empresa voltou a publicar os conteúdos de ambos artistas por considerar que os termos eram muito vagos e que a proposta não era penalizar indivíduos, mas apenas não promover seus discursos ofensivos. Com isso, eles fazem parte do catálogo, mas não são listados em playlists propagadas pela rede social.

Fonte: Spotify, BuzzFeed

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