Redes sociais podem ajudar a desvendar a evolução e a disseminação da linguagem

Por Jessica Pinheiro | 05 de Março de 2018 às 08h47

A pesquisa pode ser utilizada para diversas finalidades e inclusive como meio de disseminação dos tipos de comunicação. Baseando-se nessa premissa, uma equipe de cientistas da Royal Holloway, da Universidade de Londres, decidiu investigar se a transmissão da linguagem, em situações em que as pessoas conversam entre si, acontece de forma semelhante ao momento em que os genes são transmitidos de um pai para um filho. O resultado do estudo foi publicado no Journal of the Royal Society Interface.

De acordo com o Dr. John Bryden, um dos responsáveis pela pesquisa, é certo que as pessoas imitam ou espelham a linguagem usada por outras com quem normalmente conversam, mas esse curioso acontecimento tende a acontecer somente nessas conversas. Indo um pouco além, a equipe de pesquisas visava examinar como mudanças mais vindouras ocorrem em indivíduos quando estes adotam um certo tipo de vocábulo ao conversar com uma pessoa, como essas palavras são usadas em conversas com pessoas inteiramente diferentes.

A pesquisa assumiu que, além de desenvolver seu próprio vocabulário, todas as pessoas têm um sistema de linguagem interna adicional, que, por sua vez, influencia quais palavras serão escolhidas e qual será a frequência que serão utilizadas. Os envolvidos com o estudo selecionaram 1.000 palavras e monitoraram como o seu uso mudou após terem sido utilizadas em conversas online.

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O professor Vincent Jansen afirma que 200 milhões de conversas do Twitter foram examinadas a fim de investigar como a linguagem é repassada entre as pessoas. “Achamos que a frequência de uso de palavras é herdada em conversas”, ele relata. Segundo o pesquisador, uma palavra em cada cem conversas entre pessoas encontradas foi medida e, nessas ocasiões, os indivíduos passaram a utilizar a palavra com mais frequência. “Como as palavras mais frequentes são encontradas com mais frequência, isso significa que são as frequências das palavras que são copiadas. Esse mecanismo de cópia e sua medida pode ser usado para estudar padrões de linguagem e a evolução [das mesmas] em meio à população”, complementa Jansen.

Ele ainda acrescenta que “não existem genes conhecidos para palavras ou outras características especificas de linguagem, mas as línguas mudam de uma maneira que é muito reminiscente da evolução biológica. Essas semelhanças com a evolução biológica sugerem que, dentro da evolução do idioma, existe uma unidade análoga ao gene, mesmo que não saibamos o que é essa unidade. Aqui, lançamos alguma luz sobre a natureza desta unidade, mostrando como as frequências de palavras podem ser armazenadas e transmitidas”.

O Dr. Bryden, por sua vez, afirma que observar e medir o idioma que está sendo adotado, repassado de uma pessoa para outra, é algo fascinante. “Quando você amplia este processo para as línguas de populações inteiras, isso pode nos dar uma visão importante de como os eventos históricos moldam nossa linguagem”, disse o pesquisador referindo-se ao impacto que esses estudos podem ter ao ajudar a compreender como a linguagem mudou ao longo do tempo dentro de civilizações, bem como as consequências disso em nossos atuais ou até mesmo futuros dialetos.

Fonte: Phys.Org

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