Quem vazou os dados do Facebook?

Por Colaborador externo | 27 de Abril de 2018 às 07h00
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Facebook

*Por Eduardo Sanches

Toda essa comoção com o vazamento de dados de usuários do Facebook tem como responsáveis, não a rede social, ou a Cambridge Ananalytics, mas sim milhões de pessoas: os próprios usuários. Como especialista em segurança da informação, habituei-me a observar o comportamento das pessoas utilizando a internet. Em empresas, práticas como restringir downloads, acesso a sites específicos e bloqueio de spams são tão importantes quanto a adoção de sistemas de proteção. Em suas vidas privadas, porém, as pessoas não agem da mesma forma, nem têm os recursos disponíveis em uma empresa para sua proteção.

A maior parte das pessoas acredita que, já que não pagam pelo serviço, o Facebook é gratuito. A monetização desta e de outras redes sociais, assim como diversos aplicativos “gratuitos”, se dá por meio da captação dos dados de seus usuários. Da mesma forma que a maioria das pessoas considera que as senhas servem para acessar algo, e não como forma de evitar que os outros acessem; também não atentam ao fato de que, ao conectarem aplicativos ao Facebook, aceitam liberar seus dados e até de seus contatos. Quantas vezes, ao acessar algum serviço, você é questionado se não prefere entrar utilizando o seu perfil do Facebook, ao invés de criar um usuário específico para aquele fim? As pessoas não leem as licenças de uso. Clicam em “De Acordo” e acham que estão usufruindo de um serviço gratuito. Não é gratuito. Ele se monetiza utilizando os dados pessoais de seus usuários para direcionar publicidade e conteúdo.

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A disseminação dos smartphones, hoje o maior meio de acesso à internet, criou uma massa de usuários enorme, tornando a mineração dos dados desses usuários muito rentável. Operadoras de telefonia estão sofrendo com investigações sobre este tema, sendo um exemplo ainda mais expressivo, pois, nesse caso, o usuário está efetivamente pagando pelo serviço e ainda assim tem seus dados coletados e utilizados.

Um exemplo “off-line” dessa mesma tendência são os programas de fidelidade, principalmente os de varejo, que captam as preferências e tendências de consumo de seus clientes em troca de brindes e descontos. Mal sabem esses clientes que suas informações são utilizadas para aumentar seu próprio consumo, reduzindo ou eliminando as vantagens oferecidas.

A maioria das redes sociais disponibilizam aos usuários as informações que têm armazenadas sobre eles. Google, LinkedIn e o próprio Facebook possuem esse serviço. Nesta última, o relatório pode ser solicitado clicando no pequeno triângulo, no canto superior direito da tela, logo ao lado do botão de ajuda. Em configurações, você tem uma opção de fazer o download de uma cópia das suas informações. A solicitação é enviada e, algum tempo depois, você recebe uma notificação de que as informações estão disponíveis para download. A maior parte das pessoas se espanta com a quantidade de informações obtidas. Recomendo a todos.

*Eduardo Sanches é sócio-diretor da VSI (Ventiv Solutions International).

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