Quais as chances do Hello, a rede social herdeira do Orkut?

Por Douglas Ciriaco | 01 de Julho de 2016 às 19h10
photo_camera Reprodução/Hello

Recentemente, Orkut Büyükkökten, o lendário criador da rede que levou o seu nome, surpreendeu a todos ao anunciar a sua nova rede social, o Hello. O engenheiro turco deixou o Google em 2014 para investir em sua nova empreitada, já disponível em seis países e que chega ao Brasil somente em agosto.

Mas, analisando friamente, quais as chances do Hello em um mundo dominado pelo Facebook? Será que as novidades propostas por Orkut podem vingar? Será que há espaço para mais uma grande rede social?

Amizades profundas vs. Medo e ódio

Na carta de apresentação do Hello, o ex-engenheiro do Google pesa na nostalgia ao resgatar os bons e gloriosos momentos da rede social que levou o seu nome e que teve uma década de vida. Ele destaca ainda que a sua nova rede servirá para a criação de “amizades profundas”, tal qual acontecia no Orkut, reforçando a ideia de que “medo e ódio” não terão vez no novo espaço.

As redes sociais mudaram desde 2004. O Facebook trouxe consigo uma mudança significativa no eixo central daquilo que é uma rede social: se antes a interação se dava nas comunidades (ou seja, você precisava ir até lá para ver as discussões), hoje em dia tudo acontece em tempo real diante dos seus olhos, na sua timeline organizada por algoritmos. Em suma, não há como fugir do movimento da rede.

Hello

Hello promete uma nova experiência com redes sociais. (Foto: Reprodução/Hello)

Você provavelmente já se cansou do Facebook em algum momento, especialmente após eventos de grande comoção como finais de campeonatos, capítulos finais de novelas ou séries, reality shows, grandes tragédias, eleições e por aí vai. Momentos como estes povoam a rede social de textões, muitos deles destilando ódio e causando uma certa preguiça em muita gente.

Não por acaso não é nada difícil encontrar notícias sobre pessoas usando cada vez menos a rede social de Zuckerberg ou estudos indicando razões para encerrar a sua conta no Facebook. Talvez neste misto de nostalgia com uma possível saturação do público em relação o Facebook esteja a grande chance do Hello — e com a dose certa de organização e publicidade, esta pode ser uma arma excelente para a rede herdeira do Orkut.

Interesses em comum

“Desde que lançamos o Orkut, as redes sociais evoluíram muito, mas nem sempre de uma forma boa. Estudos mostram que, hoje, elas deixam muita gente triste ou ansiosa”, opina Orkut em entrevista à BBC Brasil. “Uma pessoa usa o Facebook pensando na forma como quer ser percebida publicamente, interage com os outros tentando passar uma certa imagem, mas isso não é autêntico nem divertido. Queremos mudar isso e ser a próxima geração das redes sociais.”

Nesta linha, a proposta do Hello de fazer o usuário “imergir em conteúdos relevantes do seu próprio interesse”, encontrando pessoas que se interessam pelos mesmos temas, pode ser um trunfo positivo. Se o ponto central é aquilo que as pessoas têm em comum, a chance do espaço se tornar mais leve e descontraído é grande. Além disso, a nova rede traz as Personas no lugar das Comunidades, contando ainda com um “Persona match”: baseado nas comunidades que você participa, a plataforma define seu grau de afinidade com outras pessoas encontradas pela rede.

O Facebook também exibe seus interesses em comum com alguém, mas convenhamos que encontrar isso na rede de Zuckerberg demanda uma investigação profunda — e é bem provável que muita gente nem saiba da existência de tal recurso. Ao que tudo indica, a nova rede criada por Orkut trará a questão das afinidades para o centro da experiência do usuário, aumentando as chances de tornar as conexões com novas pessoas muito mais relevantes.

Terra de gigantes

Uma coisa é fato: a promessa do Hello é boa. Não é difícil ver gente reclamando da plasticidade das coisas no mundo das redes sociais, essa necessidade de se expôr, de contar ao mundo a sua vida em tempo real, e por aí vai. O resultado disso muitas vezes envolve problemas de autoestima, ansiedade e até mesmo solidão, situações que podem ser agravadas por um “desamparo virtual” nas redes, digamos assim.

Porém, a nova rede social de Büyükkökten chega para brigar em uma terra repleta de gigantes, onde o Facebook mantém o seu reinado intocável com mais de 1 bilhão de usuários, um modelo de negócio consolidado, inúmeros recursos e cada vez mais conteúdo circulando ali dentro.

Além disso, atualmente existem várias alternativas ao Facebook, inclusive nomes bem conhecidos, como Twitter e Google+, mas nenhuma delas consegue ameaçar a posição de Zuckerberg. Assim, é prudente que o Hello chegue de mansinho, prometendo novas experiências inspiradas na memória afetiva que muita gente tem com o finado Orkut e mudando um pouco a forma como as pessoas se relacionam por meio da ferramenta.

Mais uma rede social?

Além da concorrência, outra inimiga do Hello é a saturação com as redes sociais. Já existem várias delas por aí e ela não é a primeira que chega prometendo uma revolução na forma como se usa este tipo de plataforma. E o desempenho do Google+ é um bom exemplo: mesmo com toda a propaganda e as artimanhas do Google para que as pessoas usem a sua nova ferramenta, é possível cravar que ela nunca decolou de fato.

Ou seja, apesar da celebração pelo anúncio da novidade quando Orkut divulgou ao público a sua nova ideia, muita gente sequer vai experimentar a nova rede justificando a sua posição no simples fato de que não precisamos de mais uma rede social para fazer algo que já podemos fazer naquelas usadas atualmente. Como gente atrai gente, o desafio do Hello passa também em convencer as pessoas de que o seu serviço é, de fato, diferente daquilo que se tem por aí.

Mas e você, o que achou do novo anúncio? Está ansioso para testar o Hello? Tem saudades do Orkut? Conta tudo aqui embaixo, nos comentários.

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