Problemas de copyright no Facebook podem afastar anunciantes e criadores

Por Redação | 10 de Agosto de 2015 às 08h43
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As discussões em torno do modelo agressivo e pouco respeitador dos direitos autorais que vem sendo aplicado pelo Facebook em seu recente foco no mundo dos vídeos pode ganhar um elemento a mais. De acordo com uma análise publicada pelo site The Verge, não apenas os produtores de conteúdo, mas também os anunciantes podem acabar sendo alienados pelas políticas, deixando a rede social sem dois dos principais pilares que garantiriam o sucesso da empreitada.

O texto é da repórter Ariha Setalvad e aponta, principalmente, para o fato de que o Facebook falha em dar um posicionamento adequado sobre a questão dos direitos autorais. Em resposta a um post recente de Hank Green, um dos grandes YouTubers norte-americanos, por exemplo, a empresa afirmou apenas que existem, sim, métodos para proteção dos vídeos publicados na rede e que os autores podem apelar quanto à postagem de seus trabalhos por terceiros.

Mas a situação real é bem mais complicada. Ao contrário do YouTube, seu principal rival e de quem o Facebook quer roubar uma bela de uma fatia no setor, a rede social não possui um sistema de identificação automática de conteúdo protegido por direitos autorais. Páginas ou usuários que realizam o upload de vídeos com copyright precisam ser marcadas manualmente pelos próprios criadores, um processo exaustivo, nada prático e, acima de tudo, sem garantias de sucesso.

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O temor é que essa atitude possa levar a processos judiciais que coloquem o Facebook como um aliado no compartilhamento ilegal de conteúdo protegido, assim como acontece com sites de torrent, por exemplo. A diferença é que, aqui, podem ser atingidos grandes celebridades, páginas gigantescas e nomes com os quais os usuários estão acostumados e que agora poderão ter que responder nos tribunais.

É um ambiente no qual anunciantes podem querer não coexistir. Conta muito, ainda, a ideia de que muitos dos vídeos do Facebook são reproduzidos automaticamente, algo que, para muitos analistas, pode ser uma maneira de inflar artificialmente os números de visualização. Mais uma vez, a empresa diz usar métricas e análises de navegação para diferenciar os usuários que somente estão passando daqueles que efetivamente assistiram ao conteúdo, mas os detalhes sobre a questão são poucos.

Hoje, o sistema do Facebook computa uma visualização caso o usuário passe mais do que três segundos com o clipe aberto na tela. Seria pouco, na visão de analistas, já que a pessoa não precisa nem mesmo ter ativado o som do clipe para que seu view conte para as métricas. Além disso, um estudo da Universidade Duke, nos Estados Unidos, aponta que caso a análise ocorra com 30 segundos ou mais, a retenção de usuários da rede social aos vídeos é de menos de 20%, um valor muito abaixo do que gostaria Mark Zuckerberg e os responsáveis pela plataforma.

As declarações de Green, publicadas na última semana no Medium, ainda repercutem e vêm recebendo apoio de outros grandes criadores, como os Fine Brothers (da série em que crianças ou idosos reagem à tecnologia) e Destin Sandlin, do canal Smarter Every Day. Voltando a falar sobre o assunto, após a resposta do Facebook, ele disse que a rede social prefere privilegiar uma “noção” de que está crescendo do que um aumento efetivo nos números e faz isso de forma nada decente.

Psicologia reversa

Uma ideia possível é que, com a falta de suporte, o Facebook poderia estar tentando atrair os grandes criadores de conteúdo para suas próprias plataformas. Afinal de contas, o “freebooting”, como é conhecida a prática de fazer reupload de conteúdos de outras pessoas, também existe no YouTube, mas os algoritmos de busca costumam mostrar os canais originais no topo da lista, dificultando a vida dos falsários.

Na rede social azul, porém, acaba acontecendo o inverso. Ainda não é possível realizar uma busca apenas por vídeos, enquanto os algoritmos de linha do tempo costumam priorizar vídeos da própria plataforma em relação aos postados no YouTube e outros. Nesse ensejo, os altos números obtidos por páginas oficiais poderiam acabar sendo a principal arma dos criadores contra o reupload, em vez de sistemas automatizados de identificação de conteúdo ou reclamações manuais de copyright.

Mas aqui o desfecho não deve ser esse. Com as práticas, o Facebook parece estar alienando aos grupos que mais podem contribuir para o sucesso efetivo de sua empreitada de vídeo. Por enquanto, está tudo bem e os reupload acumulam milhões de visualizações. Mas, no longo prazo, a situação pode se inverter, a perspectiva de ganhos atual pode acabar se revertendo em quedas nos números e caros custos judiciais. E sobre isso parece que a rede social não está tão preocupada.

Fontes: Hank Green (Medium), The Verge

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