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Perfis falsos tentam reduzir participação de Bouman em imagem de buraco negro

Por Felipe Demartini | 15 de Abril de 2019 às 12h01

Uma onda de perfis falsos invadiu o Instagram desde a última quinta-feira (11), arrebanhando dezenas de milhares de seguidores em uma tentativa de reduzir a participação de Katie Bouman na produção da primeira imagem de um buraco negro, revelada na última quarta (10). As contas tentavam se passar pela própria cientista e enalteciam a participação de colegas do gênero masculino, principalmente Andrew Chael, que trabalhou com ela na programação dos sistemas para a descoberta.

A doutora de 29 anos se tornou uma celebridade instantânea nas redes sociais após a revelação da primeira imagem real de um buraco negro, revelada na última semana pelo projeto Event Horizon Telescope. Entretanto, a notícia rapidamente ganhou tração entre os trolls da internet pelo que seria a imposição de uma “agenda feminista”, enquanto um homem, que teria feito todo o trabalho, estaria sendo deixado de lado.

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Um dos perfis falsos, por exemplo, citava especificamente uma falácia que vem sendo ventilada nas redes sociais de que Chael seria o responsável por escrever 850 mil das 900 mil linhas de código envolvidas no algoritmo que revelou a imagem do buraco negro. Outro o cita como um especialista em Python, com Bouman apenas tendo colaborado para garantir a produção da foto. O colega da doutora também ganhou fakes para chamar de seus, corroborando toda a história.

E como sempre acontece com perfis de celebridades instantâneas, muita gente passou a seguir e interagir sem saber se estava lidando, efetivamente, com a própria Bouman. Uma das contas falsas chegou a ultrapassar a marca dos 52 mil seguidores, mesmo com o grande alerta vermelho dado pelo fato de apenas imagens divulgadas pela empresa estarem sendo utilizadas nas contas, que também não possuíam selos de verificação.

Os casos aconteceram mesmo depois de o próprio Chael esclarecer as questões relacionadas ao código por meio de uma série de postagens no Twitter. Na rede social, ele negou que o algoritmo teria 900 mil linhas de código, afirmando que esse número é apenas o contado pelo Github e incluindo também arquivos de modelo. Além disso, o cientista disse não se importar com quem escreveu o que e quanto, uma vez que a descoberta foi um trabalho de equipe, para o qual Bouman foi essencial.

Ele a elogiou por sempre afirmar isso publicamente e enaltecer aqueles que dedicaram anos de sua vida ao marco científico revelado na última semana. Ao mesmo tempo, Chael afirmou que a revelação jamais seria possível sem a participação de Bouman, que contribuiu para todas as bibliotecas de software de imagem usadas no trabalho, além de ter criado o framework de testes para elas.

O Instagram tomou atitudes quanto ao caso, deletando os perfis falsos mais populares e também removendo publicações falsas sobre a descoberta da hashtag que contém o nome da doutora. A empresa não se pronunciou publicamente sobre o assunto, entretanto.

O YouTube também esteve na mira de críticas na última semana e pelo mesmo motivo. Na plataforma, um vídeo “revelando” a agenda feminista envolvida no crédito dado a Bouman se tornou um dos principais resultados de pesquisa sobre o assunto no serviço. A relevância da publicação falaciosa somente foi reduzida quanto a empresa modificou a categoria de vídeos exibidos nas pesquisas sobre a cientista, de forma a privilegiar conteúdos informativos a partir de fontes de mídia.

Fonte: Gene Park (Twitter), The Independent

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