Parlamento inglês vê Facebook como ameaça à sociedade

Por Felipe Demartini | 18 de Fevereiro de 2019 às 11h02
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Um relatório oficial emitido pelo parlamento inglês declarou o Facebook como uma ameaça à sociedade e que a empresa não é capaz de se gerenciar sozinha, exigindo a presença de um interventor governamental. O documento foi publicado neste domingo (17) e é resultado de 18 meses de investigação do Reino Unido sobre a rede social em questões relacionadas à participação da empresa no cotidiano das pessoas e sua capacidade de manipular decisões.

A grande constatação é que o Facebook, sim, pode representar uma influência nociva. Para o parlamento inglês, são três as questões em que a rede social pode representar uma ameaça ao andamento da sociedade. O pedido é por legislações mais abrangentes para alguns casos e a criação de conjunto de regras naqueles segmentos ainda não regulamentados, de forma a manter a companhia sob rédeas curtas.

O primeiro e principal ponto está relacionado às postagens irregulares, que promovem conteúdo considerado “ilegal, danoso ou manipulativo”. Para o governo do Reino Unido, a rede social deve não apenas agir de forma imediata para retirar tais publicações do ar como ser responsabilizada por sua veiculação, em uma medida que encontra bastante resistência não apenas na Europa, mas também nos EUA e em outros países com legislações semelhantes em andamento.

O segundo e terceiro pontos caminham lado a lado e estão relacionados, especificamente, à veiculação de propaganda com fins políticos e à influência estrangeira em campanhas eleitorais locais. Em ambos os casos, o pedido é para que o próprio governo reforme as leis já existentes sobre o assunto para aumentar o pente fino sobre tais atos e criar um ambiente com menos manipulação, principalmente de agentes de fora.

No relatório, o governo do Reino Unido afirma que as postagens de aniversário, memes e outras iniciativas propostas até mesmo pelo próprio Facebook servem como cortina de fumaça para esse tipo de comportamento danoso. O texto afirma que a rede social seria incapaz de prevenir publicações desse tipo, ou, pior ainda, não se importaria com esse tipo de moderação. O resultado é a proliferação do discurso de ódio, pornô de vingança, a influência sobre eleições e pressão sobre visões políticas e outros movimentos inadequados para a democracia.

O parlamento ainda retirou recomendações feitas no ano passado, em que sugeriu a criação de um código de ética a ser seguido por todas as empresas de tecnologia. A ideia, agora, é que tais normas sejam criadas pelo governo e reforçada por um órgão regulador exclusivo e independente, com cumprimento obrigatório pelas companhias, em vez da alternativa anterior, cujos termos seriam criados em conjunto e seu atendimento seria voluntário. A ideia é permitir que ações legais sejam tomadas caso o conteúdo irregular ou as campanhas de manipulação não sejam coibidas de maneira adequada.

Além disso, em uma sugestão que deve gerar bastante movimentação contrária, tal organismo governamental teria autorização para realizar pedidos de informação sobre usuários flagrados em atividades ilegais e, também, detalhes sobre o funcionamento das redes sociais. Isso incluiria o funcionamento de algoritmos e dispositivos de segurança, em uma briga que, então, também deve se estender à esfera das patentes e tecnologias registradas, com tendência a se tornar bem mais acirrada.

O relatório ainda tece críticas diretas ao CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. No texto, o governo afirma que faltam a ele as características de liderança e, principalmente, compromisso que deveriam ser inerentes ao líder de uma das maiores empresas do mundo em tamanho e influência. Para os representantes, a atitude dele é de alguém que acha não dever nada ao parlamento, mas, nesse caminho, ele também se esquece de sua responsabilidade junto a bilhões de usuários.

O Facebook não se pronunciou oficialmente sobre o assunto nem comentou as conclusões do relatório do governo britânico.

Fonte: The Verge

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