Papua Nova Guiné vai bloquear Facebook por um mês

Por Felipe Demartini | 30 de Maio de 2018 às 11h49
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O governo de Papua Nova Guiné afirmou, nesta quarta-feira (30), estar preparando a aplicação de um bloqueio temporário ao Facebook em todo o território nacional. A proposta da administração é usar a proibição para coletar informações sobre pedófilos e outros criminosos que atuam online, além de evitar a disseminação de fake news e estudar os efeitos que a plataforma — e a ausência dela — possuem sobre a população.

O anúncio foi feito pelo ministro das comunicações do país, Sam Basil, que disse ainda desejar lutar contra contas falsas e o roubo de identidade. Para garantir isso, não apenas uma proibição do Facebook para os papuásios, mas também a criação de uma rede social própria e local, com maior controle de dados e funcionamento atrelado aos serviços de identificação do país.

A preocupação, claro, se volta ao escândalo da Cambridge Analytica, que atingiu mais de 87 milhões de usuários em todo o mundo. A população local foi pouco afetada, uma vez que apenas 10% dos papuásios têm acesso à internet, e um número ainda menor está no Facebook. É justamente por isso que Basil sugeriu a criação de uma rede social local, de forma que a inclusão digital da população aconteça de maneira intrínseca ao sistema.

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O governo de Papua Nova Guiné não confirmou quando o bloqueio de 30 dias será realizado, mas informações extra-oficiais dão conta que ele pode acontecer em novembro, durante a cúpula para Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês). A reunião tem o país como sede e deve contar com a presença do presidente americano Donald Trump e também líderes de países como México, Austrália, Peru, Chile, Hong Kong, Japão e outros.

A proposta, entretanto, foi taxada de absurda pela oposição, com declarações contrárias vindas, inclusive, de membros do próprio governo. O Instituto de Assuntos Nacionais de Papua Nova Guiné, por exemplo, afirmou que um banimento desse tipo faria com que a nação se tornasse uma piada internacional, além de minar consideravelmente a capacidade de comunicação de muitos convidados à cúpula.

O primeiro-ministro papuásio, Bryan Kramer, também se mostrou contrário à medida, a taxando como uma “ridícula violação à liberdade de expressão da população”. Ele comparou a ação a um estudo sobre televisão que utilizasse apenas aparelhos desligados como métrica para análise de dados.

Em contrapartida, o Facebook emitiu breve nota oficial, afirmando estar trabalhando com o governo de Papua Nova Guiné para atender às preocupações dos oficiais e evitar um banimento. A companhia, entretanto, não falou mais sobre o assunto nem sobre uma possível cooperação com as autoridades no combate a crimes que usam a plataforma como acessório.

Fonte: BBC

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