Os motivos porque o Facebook deu certo, segundo Randi Zuckerberg

Por Rafael Romer | 21.07.2015 às 10:47 - atualizado em 21.07.2015 às 11:56
photo_camera Mashable

De uma rede social criada para estudantes da Universidade de Harvard até um gigante com mais de 1,4 bilhão de usuários ativos mensalmente, o Facebook percorreu um longo caminho. Hoje não há mais dúvidas da importância do Facebook para a internet, mas o sucesso da página não surgiu de um dia para o outro.

Durante muito tempo o Facebook poderia ser considerado "a zebra" das redes sociais, seguindo de longe diversas outras iniciativas, como o agora finado MySpace. Para nós brasileiros, então, isso é algo ainda mais latente - quem antes de 2010 trocaria o saudoso Orkut pelo Facebook? Então muita gente ainda pode se preguntar: como exatamente o Facebook "chegou lá"?

No Brasil para participar da abertura da primeira edição do Smartphone Congress, que acontece nesta semana em São Paulo, a ex-Diretora de Desenvolvimento Marketing do Facebook e irmã mais velha de Mark Zuckerberg, Randi Zuckerberg explicou que a resposta não é uma só, mas uma série de fatores que transformaram o Facebook de um projeto universitário para uma empresa gigante com receitas de US$ 12,4 bilhões.

Randi se juntou ao time do Facebook em 2008, a pedido do seu irmão e fundador do site, Mark Zuckerberg. Formada em Harvard, a executiva dedicou o início de sua carreira a área de publicidade em Nova Iorque e só se mudou para o Vale do Silício após o convite de Mark. Em 2011, ela deixou a rede social para se dedicar ao seu atual projeto, a Zuckerberg Media, uma empresa de mídia social que produz conteúdo para as Nações Unidas, The Clinton Global Initiative e o Cirque du Soleil.

De acordo com ela, o primeiro grande motivo do sucesso do Facebook foi sua "exclusividade". Apesar de hoje ser aberto para qualquer um, o serviço era limitado apenas a estudantes de Harvard no seu lançamento original, em fevereiro de 2004 - em apenas um mês, mais da metade dos alunos se inscreveram no serviço.

Randi Zuckerberg

Randi Zuckerberg participou da abertura do Smartphone Congress nesta segunda-feira (20), em Sâo Paulo (foto: divulgação)

Com a expansão gradual, que começou em março, para as universidades de Columbia, Stanford e Yale, o Facebook ia se tornando uma espécie de símbolo de status entre os estudantes. "Era uma coisa especial entrar no Facebook", contou Zuckerberg. "Nós sempre recebíamos e-mails de pessoas nos perguntando quando o Facebook chegaria à universidade delas. Nós sabíamos que quando abríssemos em uma nova escola, seria um sucesso".

Em segundo lugar, Randi afirmou que o site também foi um dos primeiros a exigir que os usuários se cadastrassem com seus e-mails e nomes reais, o que mantinha o conteúdo "bem-comportado" dentro do site. Randi, que se opõe firmemente ao anonimato na rede, disse que esse foi um dos principais motivos que atraiu novos usuário para a plataforma, pois eles encontravam no Facebook um local "tranquilo" para encontrar os amigos.

"Nós queríamos que fosse um lugar diferente, todos nós sabemos o que acontece quando temos anônimos online, eles usam discurso de ódio e escrevem coisas horríveis que jamais diriam se o nome deles estivessem lá", opinou. "E de repente o Facebook se tornou um lugar mais comportado que outras redes sociais".

Por fim, a irmã de Zuckerberg ressaltou a importância da cultura empresarial criada dentro do Facebook. Segundo ela, a mentalidade de startup que o Facebook mantém até hoje foi essencial para que os melhores talentos continuassem dentro da empresa, que incentiva que os funcionários tabalhem em projetos paralelos e tenham suas próprias ideias para evoluir a plataforma.

Ela cita as famosas hackathons mensais do Facebook como um dos exemplos bem-sucedidos da cultura de inovação do Facebook. Com música ao vivo, DJs e food trucks, os eventos estimulam que funcionários do site se dediquem a projetos que não têm nada a ver com seu trabalho diário, o que possibilita mais abertura a ideias novas.

"Parecia ridículo, mas o que acabou acontecendo é que criamos uma companhia onde as pessoas não tinham medo de serem bobas, não tinham medo de ter uma ideia ruim, ou falharem", explicou. "É uma cultura que mostra que boas ideias podem vir de qualquer lugar".

Mas mesmo com essas características que fizeram o Facebook atingir o sucesso, Randi afirmou que acredita que nenhuma empresa é "à prova de falhas" e que a rede social deverá continuar se transformando se quiser continuar relevante na Internet.

Para ela, o Facebook já tem a vantagem de ser uma empresa que cresceu no Vale do Silício, onde as companhias já têm a característica de não serem complacentes com seu sucesso e cita as aquisições de companhias como Instagram, WhatsApp e os óculos de realidade virtual Rift como exemplos da vontade do Facebook de continuar disruptivo "Enquanto as companhias entenderem o que elas fazem bem e o que não fazem bem, elas vão continuar no topo", disse.