Ministério Público vai investigar atuação da Cambridge Analytica no Brasil

Por Felipe Demartini | 22 de Março de 2018 às 13h15
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O Ministério Público do Distrito Federal anunciou o início de um inquérito para apurar a atuação da Cambridge Analytica no Brasil. O órgão quer saber se a companhia, em sua parceria com a consultoria CA-Ponte, utilizou dados de brasileiros, sejam eles usuários ou não do Facebook, em seus trabalhos de construção de perfis psicológicos para publicação de publicidade segmentada.

A grande preocupação, claro, é com as eleições presidenciais deste ano e o impulsionamento de fake news e manipulação de informações com base nos dados de usuários. Esse tipo de mecânica teria sido providencial na campanha de Donald Trump para a Casa Branca e também no referendo para saída do Reino Unido da União Europeia, ambos casos ocorridos em 2016 e nos quais a Cambridge Analytica teria participação providencial.

O promotor Frederico Ceroy, responsável pelo caso, também afirma que o intuito da investigação vai recair sobre perfis falsos, criados para impulsionar notícias falsas ou palavras positivas sobre candidatos. A ideia seria usar a aparência real de tais contas para propagar informações em meio a grupos e círculos reais de pessoas – o MP quer saber de que maneira esse trabalho é realizado, de que forma são criados os panoramas psicológicos e também o custo de todo esse trabalho.

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A situação também teria chamado a atenção do Superior Tribunal de Justiça, que também estaria analisando o caso e já estaria considerando os usuários de redes sociais como “consumidores” desse tipo de publicidade. O órgão também estaria atento à discussão com relação às eleições e de que maneira esse tipo de marketing direcionado poderia ser usado para influenciar o voto.

No último final de semana, quando o escândalo do uso de dados de usuários do Facebook pela Cambridge Analytica foi detonado, o consultor André Torretta, responsável pela CA-Ponte, afirmou que estaria suspendendo a parceria com a empresa de análise de dados. Segundo ele, a união não acontecerá até a apuração dos dados e verificação do que realmente aconteceu.

É uma mudança, entretanto, em relação a um discurso anterior. Apesar de afirmar que a Cambridge Analytica não possuía dados de brasileiros, Torretta já havia anunciado, no passado, que o mesmo sistema de publicidade segmentada utilizado pela marca na eleição de Trump seria aplicado também por aqui, sem revelar quais candidatos haviam contratado o serviço.

O marqueteiro não disse exatamente como o trabalho seria realizado nem de que maneira as informações seriam obtidas, mas, em entrevistas à imprensa nacional, afirmou que a CA-Ponte havia chegado a um sistema “tropicalizado” para realização da operação de marketing. Ainda, ele disse nunca ter desconfiado da Cambridge Analytica e que não sabia do uso irregular de dados do Facebook pela companhia.

No escândalo detonado no final de semana pelo delator Christopher Wylie, foi revelado que as informações de mais de 50 milhões de usuários da rede social, principalmente, nos Estados Unidos e Europa, foram acessados de maneira irregular, a partir de brechas nos sistemas de privacidade da plataforma e por meio de um quiz de personalidade. O próprio Mark Zuckerberg se pronunciou sobre o assunto nesta semana, lamentando o caso e afirmando que medidas serão tomadas para que a situação não se repita.

Fonte: Jota, G1

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