MBL migra para o Telegram e promete ofensiva contra o Facebook

Por Redação | 26 de Julho de 2018 às 12h57

O Facebook anunciou nesta quarta-feira (26) a remoção de 196 páginas e 87 perfis políticos, cujos títulos e nomes não foram divulgados publicamente. Contudo, muitas dessas páginas eram ligadas ao Movimento Brasil Livre (MBL). De acordo com a rede social de Mark Zuckerberg, os motivos para a remoção fazem parte de seus esforços de “evitar abusos”. Além disso, a companhia afirma que só tomou essa decisão após uma “rigorosa investigação”:

"Nós estamos agindo apenas sobre as páginas e os perfis que violaram diretamente nossas políticas, mas continuaremos alertas para este e outros tipos de abuso, e removeremos quaisquer conteúdos adicionais que forem identificados por ferir as regras”, explicou Nathaniel Gleicher, líder de Cibersegurança do Facebook, em comunicado oficial emitindo ontem.

Aparentemente, as páginas e perfis removidos eram “parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”. Após o ocorrido, o MBL respondeu à decisão com uma campanha em várias redes sociais.

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A medida foi considerada um ataque do Facebook, uma censura, e a cúpula do movimento passou a estudar maneiras de responder ao ato, considerando até mesmo ações judiciais e manifestações. O Procurador da República Ailton Benedito, inclusive, demandou que a rede social fornecesse, em até 48 horas, uma lista com os nomes das páginas e perfis removidos.

(Imagem: UOL)

Em entrevista à BBC Brasil, o procurador disse ter feito a requisição para obter dados que irão ser usados em outra investigação que está em andamento, e isso deverá definir se o Facebook está “impondo censura de natureza discriminatória ao usuário brasileiro”. Para Ailton, o importante é proteger “o direito constitucional à liberdade de informação e opinião”, algo que a internet possui em sua “natureza social e pública”.

Além disso, o MBL decidiu que, como medida de segurança, os coordenadores nacionais do grupo agora passarão a usar o Telegram ao invés do WhatsApp – que atualmente pertence ao Facebook.

Enquanto isso, na internet, algumas figuras comentaram sobre o ocorrido. No Twitter, o senador Humberto Costa (PT-PE) comentou que o MBL “foi pego pelo Facebook por manter uma rede de páginas e contas falsas com a finalidade de propagar mentiras”. Já Pedro D’Eyrot, um dos coordenadores do movimento, respondeu ao senador alegando que a rede social de Zuckerberg está “promovendo uma cruzada”.

“O que nós temos agora é uma empresa estrangeira interferindo na política brasileira, sob a desculpa esfarrapada de tentar proteger as eleições (de notícias falsas)”, acrescentou em tom de indignação. “A partir do momento que eles começam a agir politicamente, a conversa (com a empresa) é outra”.

Além de estar cogitando uma manifestação contra o Facebook para os próximos dias, o MBL também pode entrar com ações judiciais sob o pretexto de que a ação do Facebook vai contra o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor. Neste caso, algumas das páginas removidas tinham dinheiro aplicado visando aumentar a visibilidade das publicações.

Fonte: BBC Brasil, UOL

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