Mark Zuckerberg recebe diploma de Harvard e faz discurso emocionante

Por Redação | 26 de Maio de 2017 às 14h50

Para relembrar seus velhos tempos de universitário, Mark Zuckerberg optou por passar alguns dias em Harvard. Desde a última terça-feira (23), o CEO da maior rede social do mundo teve a oportunidade de visitar o seu antigo quarto e ter momentos nostálgicos, contando sobre suas experiências com os colegas e sua atual esposa, Priscilla Chan.

Além de tudo isso, nesta quinta-feira (25) o CEO do Facebook foi o responsável pelo discurso da turma de formandos de Harvard de 2017. Durante o evento, o executivo recebeu um diploma honorário na universidade, pois não chegou a se formar no curso de Ciência da Computação. Durante sua fala, Zuckerberg fez questão de contar sobre suas experiências no campus, as aulas, a importância das amizades e a importância de ajudar o mundo a se tornar um lugar melhor.

Confira o discurso na íntegra:

Reitor Faust, Conselho de Curadores, professores, ex-alunos, amigos, pais orgulhosos, membros do conselho administrativo e graduados da melhor universidade do mundo, tenho a honra de estar com vocês hoje porque, convenhamos, vocês obtiveram algo que eu nunca consegui. Se eu conseguir terminar este discurso, será a primeira vez que eu realmente conseguirei terminar algo em Harvard. Parabéns, Turma de 2017!

Sou um orador improvável, não só porque eu abandonei meu curso, como também porque pertencemos tecnicamente à mesma geração. Nós andamos por esse pátio com uma diferença inferior a uma década, estudamos as mesmas ideias e dormimos nas mesmas aulas de Ec10. Talvez tenhamos optado por caminhos diferentes para chegarmos até aqui, especialmente se vocês tiverem feito todo o percurso a partir do Quad, mas hoje quero compartilhar o que aprendi sobre a nossa geração e sobre o mundo que estamos construindo juntos.

Mas primeiro, os últimos dias me trouxeram muitas lembranças boas.

Quantos de vocês se lembram exatamente daquilo que estavam fazendo quando receberam o email dizendo que foram aceitos em Harvard? Eu estava jogando Civilization e corri escada abaixo, encontrei meu pai e, por algum motivo, a reação dele foi me gravar em vídeo abrindo o email. Aquele poderia ter sido um vídeo muito triste. Eu juro que ser aceito em Harvard ainda é a coisa que mais orgulha meus pais.

E qual foi a sua primeira aula em Harvard? A minha foi Ciência da Computação 121, com o incrível Harry Lewis. Eu estava atrasado, e portanto vesti uma camiseta rapidamente e não percebi que ela estava de trás para a frente e do avesso, com a etiqueta para fora na parte da frente. Eu não conseguia entender por que ninguém falava comigo, exceto um cara, KX Jin, que não ligou para isso. Nós decidimos resolver nossos problemas juntos, e agora ele dirige uma grande parte do Facebook. E isso, Turma de 2017, mostra por que vocês devem ser simpáticos com as pessoas.

Mas a minha melhor lembrança de Harvard foi ter encontrado a Priscilla. Eu tinha acabado de lançar o site de brincadeira Facemash, e o conselho administrativo quis “falar comigo”. Todos pensavam que eu seria expulso. Meus pais vieram me ajudar a fazer as malas. Meu amigos fizeram uma festa de despedida para mim. A sorte é que a Priscilla foi à festa com uma amiga. Nós nos encontramos na fila do banheiro no Pfoho Belltower, e em uma frase que deve ter sido uma das mais românticas de todos os tempos, eu disse: "Serei expulso daqui a três dias, então precisamos sair em um encontro o mais rápido possível."

Aliás, qualquer um de vocês que estão se graduando pode usar essa frase.

No fim não fui expulso, eu mesmo saí. Priscilla e eu começamos a namorar. Aquele filme fez parecer que o Facemash foi muito importante para a criação do Facebook. Não foi. Mas sem o Facemash eu nunca teria me encontrado com a Priscilla, e ela é a pessoa mais importante da minha vida, então posso dizer que foi o que eu fiz de mais importante enquanto estive aqui.

Nós todos iniciamos longas amizades aqui, alguns de nós até mesmo famílias. É por isso que tenho uma enorme gratidão por este lugar. Obrigado, Harvard.

Hoje quero falar sobre propósito. Mas eu não estou aqui para dar a vocês o princípio padrão sobre como encontrar seus propósitos. Nós somos da Geração Y. Tentaremos fazer isso instintivamente. Em vez disso, estou aqui para dizer a vocês que encontrar seus propósitos não é suficiente. O desafio da nossa geração é criar um mundo onde todos tenham um senso de propósito.

Uma das minhas histórias favoritas é quando John F. Kennedy visitou o centro espacial da NASA e viu um zelador com uma vassoura, e perguntou o que ele estava fazendo. O zelador respondeu: “Sr. Presidente, estou ajudando a enviar um homem à lua.”

O propósito é aquele sentido de que fazemos parte de algo superior a nós mesmos, que somos necessários, que temos algo melhor no futuro pelo qual devemos trabalhar. O propósito é o que cria a verdadeira felicidade.

Vocês estão se graduando em um momento em que isso é particularmente importante. Quando nossos pais se formaram, o propósito vinha de maneira confiável do emprego, da igreja, da comunidade. Mas agora, a tecnologia e a automação estão eliminando muitos trabalhos. A adesão às comunidades está em declínio. Muitas pessoas se sentem desconectadas e deprimidas, e estão tentando preencher um vazio.

Ao viajar pelo mundo, encontrei crianças em reformatórios e pessoas viciadas em opiáceos, que me disseram que suas vidas poderiam ter sido diferentes se elas tivessem tido algo para fazer, um programa pós-escolar ou algum lugar para ir. Encontrei-me com operários que sabiam que seus antigos empregos não existiam mais e que estavam tentando encontrar seus lugares.

Para o avanço da nossa sociedade, temos um desafio geracional: não só criar novos empregos, como também criar um senso de propósito renovado.

Lembro-me da noite em que lancei o Facebook, em meu pequeno dormitório em Kirkland House. Eu fui ao Noch’s com o meu amigo KX. Lembro-me de ter dito a ele que estava entusiasmado para conectar a comunidade de Harvard, mas que algum dia alguém conectaria o mundo inteiro.

Acontece que nunca pensei que esse alguém poderíamos ser nós. Nós éramos apenas estudantes universitários. Não sabíamos nada sobre aquilo. Havia todas aquelas imensas empresas de tecnologia com recursos. Eu simplesmente presumi que alguma delas faria isso. Mas uma ideia era muito clara para nós: que todas as pessoas querem se conectar umas às outras. Então continuamos avançando, dia após dia.

Eu sei que muitos de vocês terão suas próprias histórias como essa. Uma mudança no mundo que parece tão clara que você tem certeza de que outra pessoa fará aquilo. Mas ela não vai fazer isso. Você vai.

Mas não é suficiente que você tenha um propósito. Você tem de criar um senso de propósito para as outras pessoas.

Eu descobri isso da forma mais difícil. Minha esperança não era de criar uma empresa, mas de criar um impacto. E, à medida que as pessoas começaram a se juntar a nós, eu simplesmente presumi que elas também estavam interessadas no mesmo propósito, então eu nunca expliquei o que esperava que fosse criado.

Depois de alguns anos, algumas grandes empresas quiseram comprar a nossa empresa. Eu não queria vender. Eu queria ver se podíamos conectar mais pessoas. Estávamos criando o primeiro Feed de Notícias, e pensei que, se conseguíssemos lançar isso, ele poderia mudar a forma de obtermos informações sobre o mundo.

Quase todos os outros queriam vender. Sem um senso de propósito maior, isso era a realização do sonho de qualquer jovem empresa. Isso dividiu a nossa empresa. Após uma discussão tensa, um conselheiro me disse que se eu não concordasse em vender, me arrependeria dessa decisão pelo resto da vida. As relações estavam tão desgastadas que após cerca de um ano, todos os membros da equipe de gerência tinham ido embora.

Esse foi o meu período mais difícil à frente do Facebook. Eu acreditava no que estávamos fazendo, mas me senti sozinho. E, pior do que isso, a culpa era minha. Me perguntei se eu estava errado, se era um impostor, um garoto de 22 anos que não tinha ideia de como o mundo funcionava.

Agora, anos depois, compreendo que aquilo *é* como as coisas funcionam sem um senso de propósito maior. Cabe a nós criá-lo para continuar a avançar juntos.

Hoje quero falar sobre as três maneiras de se criar um mundo onde todos tenham um senso de propósito: participar de grandes projetos significativos em conjunto, redefinir a igualdade de oportunidades para que todos tenham a liberdade de seguir um propósito, e criar uma comunidade no mundo inteiro.

Primeiro, vamos falar de projetos grandes e significativos.

A nossa geração terá que lidar com dezenas de milhões de trabalhos substituídos por automatização, como carros e caminhões autônomos. Mas juntos nós temos potencial para fazer muito mais.

Todas as gerações têm suas obras determinantes. Mais de 300.000 pessoas trabalharam para enviar um homem para a lua, incluindo aquele zelador. Milhões de voluntários vacinaram crianças em todo o mundo contra a poliomielite. Outros milhões de pessoas criaram a Represa Hoover e outros grandes projetos.

Esses projetos não deram apenas um propósito para que as pessoas realizassem esses trabalhos, eles deram a todo o país uma ideia de orgulho de que somos capazes de fazer coisas incríveis.

Agora é a nossa vez de fazer coisas incríveis. Eu sei, provavelmente você está pensando: eu não sei construir uma represa, muito menos envolver milhões de pessoas em algum projeto.

Mas deixe-me contar um segredo: no começo, ninguém sabe. As ideias não surgem totalmente prontas. Elas só ficam mais claras depois que você as desenvolve. Você só precisa começar.

Se eu tivesse que entender tudo sobre como conectar as pessoas antes de começar, eu nunca teria iniciado o Facebook.

Os filmes e a cultura popular interpretam isso de forma errada. A ideia de um momento único de descoberta é uma mentira perigosa. Isso nos faz sentir inadequados, pois ainda não tivemos o nosso momento. Isso impede as pessoas com boas ideias de começar. Ah! Você sabe o que mais os filmes dizem de errado sobre a inovação? Ninguém escreve fórmulas matemáticas sobre um vidro. Isso não é nada.

É bom ser idealista. Mas é preciso estar preparado para ser mal interpretado. Qualquer pessoa que trabalhe em uma grande visão será chamada de louca, mesmo que ela tenha razão. Qualquer pessoa que trabalhe em um problema complexo será culpada de não entender plenamente o desafio, mesmo que seja impossível saber tudo de antemão. Qualquer pessoa que inicie algo será criticada por avançar rápido demais. Há sempre alguém querendo desanimá-la.

Em nossa sociedade, com frequência não fazemos coisas grandes porque temos tanto medo de cometer erros que ignoramos todas as coisas erradas hoje caso não façamos nada. A realidade é que tudo o que fazemos apresentará problemas no futuro. Mas isso não pode impedir que comecemos.

Então, o que estamos esperando? É hora das obras públicas determinantes da nossa geração. Que tal acabar com as alterações climáticas antes de destruirmos o planeta e incentivar milhões de pessoas a se envolverem na fabricação e instalação de painéis solares? Que tal curar todas as doenças e pedir a voluntários que permitam rastrear seus dados de saúde e compartilhar seus genomas? Nos dias de hoje gastamos 50 vezes mais tratando as pessoas que estão doentes do que gastamos para encontrar as curas para que as pessoas não fiquem doentes. Isso não faz sentido. Nós podemos mudar isso. Que tal modernizar a democracia para que todos possam votar online, e personalizar a educação para que todos possam aprender?

Essas conquistas estão ao nosso alcance. Vamos fazer de forma que todas as pessoas em nossa sociedade tenham uma função. Vamos fazer coisas grandes. Não apenas para criar progressos, mas para criar propósitos.

Encarar projetos grandes e significativos é, portanto, a primeira coisa que podemos fazer para construir um mundo no qual todos tenham um sentido de propósito.

A segunda é redefinir a igualdade de oportunidades para que todos tenham a liberdade necessária para perseguir seu propósito.

Os pais de muitos de nós tiveram empregos estáveis por toda sua carreira. Agora somos todos empreendedores, quer estejamos iniciando projetos ou buscando nosso papel. E isso é ótimo. É através da nossa cultura de empreendedorismo que criamos tanto progresso.

Mas uma cultura de empreendedorismo floresce quando é fácil experimentar muitas ideias novas. O Facebook não foi a primeira coisa que criei. Também criei jogos, sistemas de bate-papo, ferramentas de estudo e reprodutores de música. E nisso não estou sozinho. J. K. Rowling ouviu 12 rejeições antes de conseguir publicar Harry Potter. Até mesmo Beyoncé teve que compor centenas de músicas antes de chegar a Halo. Os maiores sucessos vêm de se ter a liberdade de falhar.

Mas hoje, temos um nível de desigualdade de renda que prejudica a todos. Quando não temos a liberdade de transformar nossas ideias em empreendimentos históricos, todos perdemos. Nossa sociedade hoje se orienta excessivamente pela premiação do sucesso. Estamos longe de fazer o bastante para que todos tenham muitas chances.

Temos que admitir isso. Há algo errado no nosso sistema se alguns de nós podem fazer tanto enquanto milhões de estudantes não têm condições de pagar seus empréstimos, quanto menos de começar um negócio.

Conheço muitos empreendedores, mas não conheço uma única pessoa que tenha desistido de começar um negócio porque talvez não fosse ganhar dinheiro suficiente. Mas conheço muitas pessoas que não perseguiram seus sonhos porque não tinham uma rede de segurança para o caso de falharem.

Nós todos sabemos que não é possível ter sucesso somente por termos um boa ideia ou por trabalharmos duramente. Ter sorte também é importante para se ter sucesso. Se eu tivesse tido que sustentar minha família enquanto amadurecia e não tivesse tido tempo para programar, e se eu não soubesse que estaria tudo bem se o Facebook não funcionasse, eu não estaria aqui hoje. Se formos sinceros, temos que admitir que tivemos muita sorte.

Cada geração expande sua própria definição de igualdade. As gerações passadas lutaram pelo voto e pelos direitos civis. Elas tiveram o New Deal de Roosevelt e a Grande Sociedade de Lyndon Johnson. Agora é nossa vez de definir um novo contrato social para a nossa geração.

Deveríamos ter uma sociedade capaz de medir o progresso não somente por indicadores econômicos como o PIB, mas também por quantos de nós têm um papel que consideram significativo. Deveríamos explorar ideias como a renda mínima universal, de maneira a oferecer a todos uma rede de segurança para tentar coisas novas. Mudamos de emprego muitas vezes, por isso precisamos de creches e planos de saúde que não estejam atrelados à empresa na qual trabalhamos. Todos nós cometemos erros. Por isso, precisamos de uma sociedade que ponha menos ênfase em encarcerar ou estigmatizar as pessoas. E à medida que a tecnologia evolui, precisamos nos concentrar mais na formação contínua por toda a vida.

E isto é um fato: oferecer a todos a oportunidade de perseguir seu propósito não vem de graça. As pessoas como eu precisam financiar isso. Muitos de vocês serão bem-sucedidos e deveriam fazer o mesmo.

É por isso que Priscilla e eu lançamos a Chan Zuckerberg Initiative e dedicamos nossa fortuna à promoção da igualdade de oportunidades. Esses são os valores da nossa geração. Nunca nos indagamos se deveríamos fazer isso. A única pergunta era quando.

A Geração Y já é uma das mais dedicadas à filantropia da história. Em um ano, três em cada quatro membros da Geração Y nos EUA já fizeram uma doação, e sete em cada dez arrecadaram dinheiro para beneficência.

Mas não se trata somente de dinheiro. Também é possível doar tempo. Garanto que se vocês dedicarem uma hora ou duas por semana... Basta isso para ajudar alguém a alcançar o seu próprio potencial.

Talvez vocês achem que isso é tempo demais. Eu costumava pensar assim. Quando Priscilla se formou em Harvard, ela se tornou professora. Antes de fazer trabalho de formação comigo, ela me disse que eu deveria dar aulas. Eu reclamei: "Mas estou meio ocupado. Eu dirijo essa empresa." Mas ela insistiu. Por isso, dei um curso de empreendedorismo no Boys and Girls Club local.

Dei aulas sobre desenvolvimento e marketing de produtos, e meus alunos me ensinaram o que significa se sentir visado por causa da própria raça e ter um parente na cadeia. Compartilhei histórias da minha vida universitária, e eles compartilharam sua esperança de também ir à universidade um dia. Faz cinco anos que janto todos os meses com esses jovens. Um deles organizou o primeiro chá de bebê para mim e para Priscilla. Ano que vem eles vão começar a universidade. Todos eles. Os primeiros das respectivas famílias.

Todos nós podemos separar algum tempo para ajudar alguém. Vamos dar a todos a liberdade para perseguir o seu propósito — não somente porque isso é a coisa certa a fazer, mas também porque quando mais pessoas podem transformar seus sonhos em algo grandioso, isso é melhor para todos nós.

O propósito não vem só do trabalho. A terceira forma que temos de difundir propósito para todos é construindo uma comunidade. E quando nossa geração diz “todos”, estamos falando de todas as pessoas do mundo.

Levantem as mãos: quantos de vocês são de outro país? E quantos de vocês são amigos dessas pessoas? Agora, sim. Nós crescemos conectados.

Em uma pesquisa com membros da Geração Y ao redor do mundo sobre o que define nossa identidade, a resposta mais frequente não foi a nacionalidade, a religião ou a etnia, foi “cidadão do mundo”. Isso é muito importante.

Cada geração expande o círculo de pessoas que considera como “um de nós”. Para nós, isso engloba o mundo inteiro.

Compreendemos que o arco da história da humanidade pende para a união entre pessoas em números cada vez maiores — de tribos a cidades e nações — para alcançar coisas que não podemos sozinhos.

Entendemos que nossas melhores oportunidades são agora globais: podemos ser a geração que acabará com a pobreza e as doenças. Entendemos que nossos maiores desafios também precisam de respostas globais: nenhum país pode lutar sozinho contra as alterações climáticas ou prevenir pandemias. O progresso agora requer a união não apenas como cidades ou nações, mas também como uma comunidade global.

Mas vivemos em tempos instáveis. Há pessoas deixadas de lado pela globalização no mundo inteiro. É difícil se preocupar com pessoas de outros lugares se não nos sentimos bem com nossas vidas onde estamos. Isso cria uma pressão para nos voltarmos para nós mesmos.

Esse é o conflito do nosso tempo. As forças da liberdade, da abertura e da comunidade global contra as forças do autoritarismo, do isolacionismo e do nacionalismo. Forças para o fluxo de informações, comércio e imigração contra aqueles que gostariam de retardá-los. Essa não é uma batalha entre nações, é uma batalha entre ideias. Em todos os países há pessoas a favor da conexão global e pessoas boas contra ela.

E isso também não vai ser decidido na ONU. Isso vai acontecer a nível local, quando um número suficiente de nós sentirmos que temos um propósito e estabilidade em nossas próprias vidas a ponto de nos abrirmos e começarmos a nos importar com todas as outras pessoas. A melhora maneira de fazer isso é começar a construir comunidades locais agora mesmo.

Nossas comunidades nos proporcionam um sentido. Sejam nossas comunidades casas ou equipes esportivas, igrejas ou grupos musicais, elas nos dão a sensação de que fazemos parte de algo maior, que não estamos sozinhos; elas nos dão a força para expandir nossos horizontes.

É por isso que é tão impressionante que, por décadas, a participação em todos os tipos de grupos diminuiu em até um quarto. Isso representa um grande número de pessoas que agora precisam encontrar um propósito em outros lugares.

Mas eu sei que podemos reconstruir nossas comunidades e estabelecer comunidades novas, porque muitos de vocês já o fizeram.

Conheci Agnes Igoye, que está se formando hoje. Onde você está, Agnes? Ela passou a infância atravessando zonas de conflito em Uganda, e agora ela treina milhares de oficiais da lei para manter comunidades em segurança.

Conheci Kayla Oakley e Niha Jain, que também estão se formando hoje. Levantem-se. Kayla e Niha fundaram uma organização sem fins lucrativos que conecta pessoas que sofrem de doenças com pessoas de suas comunidades dispostas a ajudar.

Conheci David Razu Aznar, que está se formando na Kennedy School hoje. David, levante-se. Ele é um ex-vereador que liderou com sucesso a batalha para tornar a Cidade do México a primeira cidade da América Latina a aprovar a igualdade matrimonial, mesmo antes de San Francisco.

Essa é a minha história também. Um estudante em um dormitório, conectando uma comunidade de cada vez, e continuando a fazer isso até que um dia conectamos o mundo inteiro.

A mudança começa localmente. Mesmo as mudanças globais começam em uma escala menor, com pessoas como nós. Em nossa geração, o empenho para estarmos mais conectados e conseguirmos alcançar nossas maiores oportunidades se resume a isso: nossa capacidade de construir comunidades e criar um mundo onde cada pessoa tem um propósito.

Turma de 2017, vocês estão se formando em um mundo que precisa de propósito. Cabe a vocês criá-lo.

Mas talvez você esteja pensando: eu vou conseguir fazer isso?

Se lembram da história que contei sobre a turma para a qual dei aulas no Boys and Girls Club? Um dia, depois da aula, eu estava conversando com eles sobre a faculdade e um dos meus melhores alunos levantou a mão e disse que não tinha certeza se conseguiria entrar porque ele era um imigrante sem documentos. Ele não sabia se o deixariam entrar.

No ano passado, o levei para tomar café da manhã no dia do seu aniversário. Queria dar-lhe um presente, então perguntei o que ele queria e ele começou a falar sobre alunos em dificuldade e disse: “Sabe, eu gostaria mesmo de um livro sobre justiça social.”

Fiquei surpreso. Esse é um jovem que tem todos os motivos para ser cético. Ele nem sequer sabia se o país que ele chama de seu, o único que ele conhece, lhe permitiria realizar o sonho de ir para a faculdade. Mas ele não sentia pena de si mesmo. Ele nem estava pensando em si mesmo. Ele tem um senso de um propósito maior, e vai arrastar muitas pessoas com ele.

Isso diz muito sobre a nossa situação atual, e eu não posso dizer seu nome para não colocá-lo em risco. Mas se um aluno do último ano do ensino médio que não sabe o que pode fazer com seu futuro pode fazer algo para fazer o mundo avançar, então devemos ao mundo fazer a nossa parte também.

Antes de você atravessar esses portões pela última vez, enquanto estamos aqui em frente à Memorial Church, me lembro de uma oração, Mi Shebeirach, que faço sempre que me encontro em momentos de adversidade, que canto para minha filha pensando em seu futuro quando a coloco para dormir. É assim:

"Que a fonte de força que abençoou os que vieram antes de nós nos ajude a *encontrar a coragem* para tornar nossa vida uma bênção."

Espero que vocês encontrem a coragem para tornar suas vidas uma bênção.

Parabéns, Turma de 2017! Boa sorte no mundo afora.

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