Mark Zuckerberg não irá à Inglaterra para falar sobre escândalo de privacidade

Por Felipe Demartini | 27 de Março de 2018 às 09h20
Facebook
Tudo sobre

Facebook

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, não aparecerá diante do Parlamento Inglês para prestar esclarecimentos sobre o escândalo do mal-uso de dados pela Cambridge Analytica. Em comunicado oficial, a rede social disse que enviará o diretor de produtos, Chris Cox, para prestar esclarecimentos aos representantes europeus, em uma sessão que está marcada para acontecer na próxima semana, logo após o recesso de Páscoa.

O depoimento do representante do Facebook é o segundo de um inquérito pelo qual o Parlamento Inglês deseja conhecer a influência da propaganda veiculada pela empresa no referendo que levou á saída do Reino Unido da União Europeia. Nesta semana, está sendo ouvido o delator Christopher Wylie, responsável por trazer todo o escândalo à tona.

Zuckerberg se desculpou aos ingleses por não poder comparecer pessoalmente à sessão, mas não explicou exatamente o porquê. Em seu lugar, afirma, Cox será capaz de prestar todos os esclarecimentos necessários aos representantes, principalmente os relacionados à maior preocupação deles – como funcionou o esquema que colocou as informações de mais de 50 milhões de usuários do Facebook, em todo o mundo, nas mãos de uma companhia de publicidade direcionada para fins de perfilhamento psicológico e ação política.

Participe do nosso GRUPO CANALTECH DE DESCONTOS do Whatsapp e do Facebook e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

A explicação sobre o processo, claro, já foi dada na imprensa, mas, agora, é hora de falar sobre ela de maneira oficial. De acordo com Wylie, a Cambridge Analytica obteve esse volume de dados a partir de uma falha de privacidade no Facebook, que em 2014, período da coleta, permitia acesso às informações tanto dos contatos quanto do próprio usuário, quando ele dava essa permissão. Foi assim que 270 mil respostas em um quiz de personalidade se transformaram em um pacote com informações de 50 milhões de pessoas, principalmente americanos e europeus.

Essa coleta aconteceu sem anuência explícita dos perfilados, outro ponto que o Parlamento Inglês deseja avaliar. Foi justamente por isso que, além de Zuckerberg e Wylie, os representantes também solicitaram um novo comparecimento de Alexander Nix, antigo CEO da Cambridge Analytica, afastado após a detonação do escândalo, para prestar mais esclarecimentos. Ele já havia falado em fevereiro, durante outro inquérito relacionado à privacidade e uso de dados para campanha de publicidade.

No Brasil, o Ministério Público do Distrito Federal também anunciou o início de uma investigação sobre a Cambridge Analytica. Apesar de a empresa já ter afirmado não possuir dados de brasileiros, ela trabalharia na campanha eleitoral deste ano por meio de parceiros locais, uma questão que, agora, o MP deseja olhar com mais atenção.

Fonte: BBC

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.