Mark Zuckerberg diz assumir total responsabilidade pelos erros do Facebook

Por Felipe Demartini | 05 de Abril de 2018 às 10h36
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Após a revelação de que a situação de invasão de privacidade e mal uso de dados do Facebook por terceiros é muito pior do que se imaginava, o fundador da plataforma, Mark Zuckerberg, afirmou assumir total culpabilidade pelos erros ocorridos na rede social. “Eu comecei tudo isso. Eu gerencio [a empresa] e sou o responsável pelo que acontece [com ela]”, disse durante uma conferência na qual números atualizados sobre a questão foram revelados.

Na apresentação, a companhia subiu de 50 milhões para 87 milhões o total de usuários afetados pela coleta de dados realizada pela Cambridge Analytica. Além disso, admitiu que “a maioria” dos utilizadores do Facebook já tiveram suas informações utilizadas por terceiros de maneira indevida, ampliando ainda mais o pesadelo de privacidade que a plataforma vem enfrentando ao longo das últimas semanas.

Para Zuckerberg, entretanto, ninguém além dele mesmo tem culpa sobre isso. O CEO disse não estar disposto a responsabilizar funcionários e executivos da empresa sobre a questão, o que envolve até mesmo possíveis demissões de gerentes ou especialistas envolvidos na criação de políticas de privacidade e proteção. O fundador da rede social disse não ser a favor de atirar ninguém aos leões por conta do que aconteceu e considera que a situação atual é fruto de erros combinados.

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Além disso, ele refutou as alegações de que deveria deixar o cargo de CEO do Facebook. Ele acredita que é a melhor pessoa para liderar a companhia neste momento de crise justamente por estar por trás de sua criação e de muitas das decisões que levaram ao momento atual. Respondendo a rumores, ainda, ele disse não saber de uma possível pressão entre acionistas para que ele abandonasse sua posição.

Mesmo que essa pressão exista, os investidores dificilmente conseguiriam fazer isso. Além de CEO do Facebook, Zuckerberg é detentor de uma parcela de 16% da companhia, mas com privilégios especiais que garantem a ele 60% do poder de voto. Além disso, ele é diretor do conselho consultivo da companhia, o que o coloca em uma posição de poder de destaque – e, pelo menos de acordo com as informações oficiais, apoiada pelo restante dos dirigentes.

Ao terminar sua fala, o fundador ainda ecoou os anseios de parte dos usuários, sugerindo a criação de uma “suprema corte virtual” independente de empresas e serviços e que pudesse legislar sobre assuntos relacionados a privacidade e segurança. Além disso, seria um caminho fora da justiça tradicional pelo qual os utilizadores poderiam apelar de decisões realizadas pelos serviços online e solicitar mudanças e inquéritos.

Como mais uma forma de proteger a privacidade de seus usuários e impedir o uso indevido de suas informações, o Facebook anunciou alterações na forma como a pesquisa da plataforma funciona. Já não é mais possível encontrar usuários por meio de seus números de telefone e prometeu reduzir a coleta de dados relacionados a ligações e mensagens de texto, principalmente nas versões Android de seus apps oficiais. Os softwares, em breve, analisarão apenas os contatos mais frequentes, e nada mais, como forma de sugerir amigos.

Fonte: The Guardian

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