Maioria dos usuários é contra novos termos de uso do WhatsApp

Por Redação | 23.09.2016 às 11:55
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No próximo domingo, 25, acaba o prazo para os usuários do WhatsApp aceitarem os novos termos de uso do aplicativo, que prevê o compartilhamento de dados das contas com o Facebook. A mudança está inclusa na nova política de privacidade do serviço, cuja aceitação será obrigatória para quem deseja continuar utilizando o aplicativo.

No entanto e como era de se esperar, para a maioria dos consumidores, o “consentimento” será dado a contragosto. Segundo enquete realizada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), 88% dos internautas acham os novos termos de uso injustos ou confusos. Das 2.463 pessoas que participaram, 63,5% afirmaram que os termos de uso são injustos, pois acreditavam que o WhatsApp protegia sua privacidade e agora não têm como escolher o que compartilhar com o Facebook. Já 25,7% responderam que a nova política é confusa, pois não sabem exatamente o que será coletado e se o Facebook poderá ler suas mensagens. Apenas 2,8% acham que os termos são justos, já que o aplicativo é gratuito.

Idec enquete WhatsApp

Para Rafael Zanatta, advogado e pesquisador do Idec, a percepção dos consumidores reforça que os novos termos de uso vão contra às normas do Marco Civil da Internet e do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que garantem a privacidade dos dados pessoais. “Ao contrário do que prevê a lei, o consentimento não é livre nesse caso. O consumidor se vê forçado a aceitar os termos de uso para continuar tendo acesso ao aplicativo de mensagens, que tem cerca de 100 milhões de usuários no Brasil e tornou-se um elemento importante para o exercício do direito à comunicação”, afirma.

Zanatta ressalta que o que está em jogo é o repasse de dados para várias empresas que as pessoas não conhecem, não só para o Facebook. “Esses dados são valiosíssimos para a formação do perfil dos usuários para empresas de publicidade que pertencem ao grupo Facebook. Sua coleta não estava prevista antes e o Whatsapp agiu de forma errada ao mudar as regras e não dar opção de escolha ao consumidor. Há muito mais do que simples coleta dos dados da agenda telefônica”, acrescenta o advogado.

Dados coletados

A enquete também sugere um cenário de desconhecimento, imprecisão ou desconfiança com relação aos dados que são efetivamente coletados pelo WhatsApp. Para 72% dos que responderam, os dados de geolocalização são coletados pela empresa; e quase metade (48%) acredita que o conteúdo das conversas – individuais ou em grupo – serão compartilhados com o Facebook.

Os resultados parecem ainda mostrar uma postura reativa ao Facebook e ao WhatsApp. Apenas 12% dos internautas que participaram da enquete aceitaram os termos de uso sem ler; 37% rejeitaram o compartilhamento de informações e 26% adiaram a escolha ao clicar em "agora não" e estão pensando a respeito até o prazo estipulado pelo aplicativo. Quase 20% afirmaram não ter sido notificados sobre a mudança e apenas 4% escolheram compartilhar informações após ler os termos.

A maior parte dos consumidores que respondeu à enquete está na faixa de 28 a 35 anos de idade (23%). Do total, 45% utilizam o WhatsApp há mais de três e quatro anos. Só 4% aderiram ao serviço ainda este ano.

Quando anunciou a novidade em agosto, o WhatsApp se explicou dizendo que o compartilhamento de informações com o Facebook permitirá "coordenar melhor e também implementar melhorias nas experiências entre os serviços nos próximos meses", bem como aperfeiçoar seus sistemas de segurança.

Fonte: Idec