Maioria das mulheres não confia no Twitter para lidar com abuso e violência

Por Wagner Wakka | 21 de Março de 2018 às 17h38
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Hoje (21), o Twitter completa 12 anos e recebeu um presente nada feliz. A Anistia Internacional Britânica divulgou um estudo mostrando quanto a rede social é tóxica para as mulheres. Os resultados mostram que apenas 9% das mulheres disseram sentir que o Twitter faz o suficiente para lidar com violência e abuso na plataforma.

Chamado de #toxictwitter, o documento tem como base a análise de experiência de mulheres entre dezembro de 2016 e março de 2018 em escala, natureza das postagens e impactos da violência e abuso direcionado a mulheres na rede de microblogging. O grupo de pesquisadores entrevistou mais de 80 mulheres incluindo políticas, jornalistas e usuárias comuns nos EUA e Reino Unido.

“A Anistia está expondo como o Twitter está falhando em respeitar os direitos das mulheres e alerta a empresa socialmente que vamos tomar passos concretos para melhor como identificar, responsabilizar e prever violência e abuso contra a mulher na plataforma”,  diz o release oficial publicado no site da Anistia.

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O comunicado ainda destaca  que 78% das mulheres que já expressaram opiniões na rede social não acreditam que o Twitter é um lugar no qual elas podem compartilhar suas opiniões sem receber violência e abuso em troca. O documento também revela que a plataforma reconhece o tema e o proíbe em seus termos de conduta, além de oferecer uma ferramenta de denúncia de contas e posts.

“Contudo, muitas das mulheres com quem a Anistia conversou descreveram como elas reportaram vários tuítes ao Twitter e receberam poucas respostas. Uma jornalista do Reino Unido disse à Anistia que ela reportou 100 tuítes abusivos, sendo que o Twitter removeu apenas dois. Em vários casos, mulheres contaram à Anistia que conteúdos de tuítes abusivos que reportaram foram consideradoscomo  ‘não violando os padrões de sociedade do Twitter’”, denuncia o release.

Para além da questão de gênero, o levantamento também aposta que a plataforma ainda é pior para lidar com violência relacionada a mulheres negras, minorias religiosas e étnicas, mulheres LGBTIQ, indivíduos não binários e mulheres com deficiência.

O documento completo com mais de 70 páginas apresentando metodologia, desenvolvimento e resultados está disponível para download.

O lado do Twitter

Em resposta à pesquisa, o Twitter enviou um comunicado oficial à Anistia dizendo que “não podem deletar ódio e preconceito da sociedade”. Além disso, listaram 30 mudanças dos últimos 16 meses para melhorar a segurança na plataforma.

De acordo com a Anistia, a empresa se recusa a abrir dados sobre como são endereçadas denúncias de abuso. A justificativa seria de que os dados “não seriam informativos, pois as ferramentas são frequentemente usadas de forma inapropriada”.

Fonte: Amnesty International UK

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