Justiça dos EUA considera criminoso jovem que expôs colega no Snapchat

Por Redação | 20.07.2016 às 23:56

Em 2013, um adolescente cometeu suicídio após não suportar o bullying sofrido na escola graças a um vídeo de dez segundos publicado no Snapchat de um colega, que o filmou por baixo da porta do banheiro do colégio. No vídeo, que foi removido após 24 horas, o jovem M.H filma o colega escondido e insinua que ele estaria se masturbando. Agora, três anos depois, a Justiça dos Estados Unidos determinou a atitude como criminosa e a decisão abre precedentes para que outros casos similares sejam devidamente condenados.

Apesar do snap não ter mostrado o rosto do adolescente, o jovem Matthew pôde ser facilmente reconhecido pelos colegas da escola graças aos tênis e meias que estava usando, e o vídeo acabou viralizando, o que resultou em um bullying intenso sofrido pelo jovem, que não aguentou e acabou tirando a própria vida duas semanas após a publicação. M.H tentou se defender alegando estar prestando um serviço de utilidade pública ao “denunciar” o colega realizando o tal ato, mas a justiça do país compreendeu a atitude do rapaz como sendo uma invasão de privacidade, além de difamação pública resultando em suicídio.

“Um estudante no banheiro de uma escola espera que não seja filmado e tenha esse vídeo disseminado nas redes sociais. Matthew não perderia esse direito apenas porque suas meias e sapatos poderiam ser vistos e sua voz pôde ser ouvida por outras pessoas no banheiro. Matthew pode ter corrido o risco de pessoas no banheiro contassem aos outros o que eles testemunharam ali, mas isso é muito diferente de esperar que sua conduta seja eletronicamente gravada e transmitida para todo o corpo estudantil. Assim, o principal argumento de M.H falha porque o direito à privacidade não é um segredo total, mas sim o direito de controlar a natureza e grau de disseminação em primeira mão”, diz a resposta do tribunal que analisou o caso.

Esse caso traz à tona o debate sobre o poder que as redes sociais dão a jovens que não estão completamente cientes das consequências de seus atos, bem como a necessidade de determinar regras e limites para o que pode ser exibido nessas plataformas sem causar danos graves às vidas dos demais.

Fonte: ARS Technica