Indonésia restringe uso do WhatsApp, Facebook e Instagram para conter protestos

Por Felipe Demartini | 22 de Maio de 2019 às 13h49
Reuters
Tudo sobre

Facebook

Saiba tudo sobre Facebook

Ver mais

O governo da Indonésia impôs restrições de acesso ao WhatsApp, Facebook e Instagram nesta semana, em resposta aos protestos que tomaram as ruas, principalmente, da capital, Jacarta. Por meio do Twitter, usuários do país citam dificuldades para enviar imagens e vídeos por meio do mensageiro, além de problemas para postar nas duas redes sociais, que também estariam lentas e irresponsivas.

Em nota, o Rudiantara, como é chamado o ministério das comunicações da Indonésia, confirmou o impedimento, mas citou apenas o WhatsApp, afirmando que alguns usuários sentirão um pouco de lag no envio de mensagens multimídia. Já o Wiranto, departamento de assuntos políticos e de segurança do país, falou que o bloqueio de mídias sociais e a desativação de “certos recursos” vêm para promover a calma entre a população.

Os protestos em Jacarta começaram após a revelação antecipada da reeleição do presidente Joko Widodo, com 55% dos votos no pleito que aconteceu em 17 de abril. Apoiadores do candidato derrotado, Prabowo Subianto, foram às ruas depois que ele afirmou estar disposto a contestar os resultados na justiça. Quarteis da polícia foram invadidos e viaturas foram queimadas, assim como carros e ônibus pelas ruas da capital, em manifestações que rapidamente evoluíram para confrontos violentos.

De acordo com as informações da imprensa internacional, pelo menos seis mortos já foram registrados, além de 200 feridos, somente na capital. O governador de Jacarta, Anies Baswedan, também pediu calma à população e validou o direito às manifestações, mas somente de forma pacífica. Ele disse, também, ter aconselhado as forças de segurança a evitarem o confronto com a população.

O Facebook não confirmou oficialmente os bloqueios, mas em comunicado, disse estar em contato com o governo da Indonésia para tratar da situação. A empresa ressaltou o uso de suas plataformas para contato entre os familiares e entes queridos daqueles que estão em Jacarta e afirmou estar comprometida com o funcionamento de seus serviços no país.

Entretanto, não é de hoje que a rede social e a administração do país entram em conflito. Há um mês, na aproximação das eleições, o Rudiantara já havia expressado preocupação quanto à proliferação de notícias falsas e conteúdo inflamatório por meio do Facebook, em antecipação às eleições que aconteceram no dia 17.

O WhatsApp também faria parte dos esforços de desinformação que tentavam manipular os resultados nas urnas, com a principal reclamação do governo sendo a falta de transparência entre os pedidos de retirada de conteúdo e o que, efetivamente, saía do ar. Agora, a ideia do Rudiantara é que o mensageiro, bem como as redes sociais, estariam sendo usados para inflar os protestos e levar a população às ruas para agir de forma violenta, o que motivou o bloqueio parcial das plataformas.

Fonte: TechCrunch

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.