Governo dos EUA quer saber se Facebook mentiu sobre caso Cambridge Analytica

Por Felipe Demartini | 03 de Julho de 2018 às 13h32
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O Facebook voltou a ficar na mira do governo dos Estados Unidos por causa do caso Cambridge Analytica. Em uma investigação conjunta, o FBI, o Departamento de Justiça e a Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês) querem saber se a empresa mentiu ao público sobre o compartilhamento de dados com a companhia e se os comentários e esclarecimentos prestados depois da detonação do escândalo, principalmente na audiência do CEO Mark Zuckerberg com o Congresso, foram suficientes.

O inquérito assume ares ainda mais graves devido ao envolvimento do órgão voltado para a regulação econômica, que apura se houve omissão de informações relevantes a investidores como forma de evitar uma redução no valor de mercado da companhia. Depois das revelações, também, a comissão quer saber se os esclarecimentos prestados foram relevantes e suficientes para que os acionistas tomassem decisões acertadas, sem serem induzidos ao erro.

A notícia marca a continuidade de um inquérito que, até o momento, envolvia apenas a Cambridge Analytica, mas não esbarrava no Facebook. No caso, os dados pessoais de dezenas de milhões de usuários da rede social, sendo 71 milhões apenas nos Estados Unidos, foram obtidos a partir de um aplicativo de quiz de personalidade, com a API permissiva da rede social dando acesso aos dados não apenas dos respondentes em si, mas também de todos os amigos e contatos adicionados.

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Um dos principais pontos da investigação deve ser o intervalo entre a descoberta da falha que levou ao mau uso dos dados e a revelação disso pelo Facebook. De acordo com a empresa, o problema que permitia o acesso indiscriminado a informações de usuários teria sido descoberto e sanado em 2015, mas a companhia só veio a público com essa informação em março deste ano, depois que um delator revelou o escândalo à imprensa.

De acordo com reportagem do jornal americano The Washington Post, a união de agências díspares, como o FBI e a SEC, é um alerta vermelho para a rede social e pode demonstrar a seriedade do inquérito. Trata-se de uma cooperação sem muitos precedentes na história americana, mas que faz todo sentido quando se leva em conta o papel dos dados obtidos pela Cambridge Analytica na campanha de publicidade em massa usada, entre outros, por Donald Trump em sua campanha à presidência dos EUA.

Em resposta oficial, o Facebook confirma o recebimento de uma série de perguntas por parte dos investigadores e diz estar disposto a cooperar com o inquérito, não apenas nos Estados Unidos, mas também no Reino Unido e em outros territórios. A empresa diz que está sempre disposta a colaborar com as autoridades e lembrou os alertas a usuários, participação em audiências e declarações ao público como prova disso.

Ainda segundo a reportagem, porém, mais detalhes sobre a investigação são desconhecidos, principalmente sobre indiciamentos criminais ou penas civis. A comparação entre as declarações públicas dadas pelo Facebook e suas atitudes abertas e também nos bastidores, porém, devem dar um olhar maior sobre a real responsabilidade da rede social sobre o caso e, também, as atitudes tomadas por ela uma vez que a brecha foi descoberta.

Fonte: The Washington Post

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